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ESPAÇO OPINIÃO/DEBATE

 ·Por Mayron Régis,  Jornalista e Presidente do Fórum Carajás.

O arroz na história recente do estado do Maranhão nunca saiu de cena e nunca saiu de cima da mesa na hora do almoço dos maranhenses. Muito se comentou que a base alimentar do maranhense, em qualquer canto do estado, é arroz, farinha e alguma carne. O suficiente para aguentar o tranco do dia. Essa base alimentar se alterou em algum ou outro detalhe, nos últimos anos, mas o maranhense continua fiel ao arroz, a farinha, e quando é possível, um feijão e uma carne.

É sempre bom relembrar que os alimentos produzidos no Brasil não chegavam à mesa do cidadão comum. E essa circunstância prevalecia, sobretudo, na disponibilidade de carne bovina. Quem comia carne comia carne considerada de segunda, boa para um cozidão. A carne não vinha sozinha; ela vinha banhada em muita água e acompanhada de matos e de verduras. Nem sempre era possível comer carne e o cardápio se fixava no arroz.

O Maranhão foi no início dos anos 80 um dos maiores produtores de arroz do Brasil. Em anos posteriores, o estado trocou o status de produtor de arroz pelo status de produtor de soja e mais recente de produtor de milho, culturas voltadas para exportação e não para a alimentação da sociedade maranhense.

Área desmatada por empresários paraguaios no município
de Coelho Neto com fins de plantio de soja e milho
- Foto:Fórum Carajás

A visão de um campo de futebol na zona rural de São João do Soter, Centro Leste Maranhense, despertou a lembrança do jogo de travinha nas ruas de São Luis, uma modalidade de futebol que poucas crianças e jovens ainda praticam. Jogar travinha resultava, várias vezes, em confusões com os donos ou as donas das casas onde as bolas caiam ou onde as bolas quebravam algum utensilio doméstico. 

Uma pratica social que vem sumindo aos poucos no Maranhão é o das pessoas convidarem recém-chegados ou visitas inesperadas a almoçarem, caso seja hora do almoço. O senhor Edivaldo, presidente da associação da comunidade quilombola do Jacarezinho, convidou a equipe do Fórum Carajás e da diocese de Caxias, a entrarem em sua casa e provarem um almoço preparado por sua mulher enquanto eles conversavam do lado de fora. O presidente da associação se encontrava impedido de circular pelas comunidades vizinhas por obra e graça de uma liminar dada pela justiça de Caxias em favor de um senhor conhecido por Jonhy, segundo alguns, um paraguaio de origem e um plantador de soja. Este senhor planeja se apossar de uma área de 1500 hectares de uma comunidade próxima ao Jacarezinho e como o senhor Edivaldo é uma liderança que organiza os quilombolas contra o assédio exercido por grileiros, essa decisão judicial é uma forma de quebrar a unidade do território quilombola de Jacarezinho.

O plantador de soja alega que os quilombolas rejeitaram uma proposta de acordo e caso seja necessário entrará com maquinário e com a polícia para garantir seus direitos. Só que o acordo é para que os quilombolas abram mão do seu território para que ele desmate e plante soja como acontece em várias regiões de São João do Soter, Caxias e Coelho Neto. O almoço na casa do senhor Edivaldo foi ao mesmo tempo simples e sofisticado. Simples porque era o arroz e o feijão de todo o santo dia e sofisticado porque eles estavam misturados na panela, viraram o famoso baião de dois. Em cima da mesa e sobre os pratos dos convivas, o baião de dois reinava. Para a carne, restou ser coadjuvante.


No povoado Carranca, em Buriti-MA
 

As atividades ocorreram nos municípios de Buriti (povoado Carranca), São Benedito do Rio Preto (Guarimã) e Urbano Santos.

Apresentar e incentivar o uso de ferramentas de comunicação para mobilizar, conscientizar e engajar pessoas. Este foi o propósito das Oficinas de Comunicação Popular ministrada para agricultores e agricultoras familiares e extrativistas de comunidades rurais do leste do Maranhão, promovidas pelo Fórum Carajás.

As oficinas foram ministradas pelas jornalistas Franci Monteles e Yndara Vasques, da Inspirar Inovação & Comunicação, para comunidades dos municípios de São Benedito do Rio Preto (Guarimã), Urbano Santos e Buriti (Carranca), todas dentro da área do bioma do cerrado maranhense. No povoado buritiense Carranca, as atividades aconteceram nos dias 28 e 29 de janeiro deste ano. 

“As comunidades têm um grande potencial de comunicar. Vivenciam fortes histórias de luta e de resistência, produzem e preservam o meio ambiente. É uma comunicação feita por eles e para eles”, enfatizou Franci Monteles. Por meio da comunicação popular, de acordo com Yndara Vasques, as comunidades são incentivadas a fazerem uso das ferramentas e meios alternativos para mobilizar e conscientizar. “É uma comunicação onde eles são protagonistas das suas próprias histórias”, afirma Yndara Vasques.


A Inspirar atua junto aos povos e comunidades tradicionais potencializando as maneiras de comunicar. Como Assessoria de Imprensa, tem parceria junto aos coletivos de comunicação em defesa do meio ambiente, direitos dos povos e comunidades originários. Em casos emblemáticos como o massacre dos indígenas Gamella, reforçou as denúncias junto a mídia nacional e internacional por meio da OAB/MA. Na estruturação da Comunicação do Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu, implantou o fluxo de informação entre as integrantes, que atuavam em quatro estados (MA/PA/PI e TO), além de atuar na produção da campanha internacional de valorização da cultura da quebra do coco babaçu junto a organizações como a Actionaid e a União Europeia.

 Fórum Carajás

 No leste maranhense, o Fórum Carajás tem atuado, há mais de 10 anos, em defesa das comunidades tradicionais ameaçadas pelo agronegócio da soja e do eucalipto para produção de celulose. Estas monoculturas, que avançam e pressionam as comunidades para deixarem suas propriedades, emperram a demarcação de terras, provocam conflitos agrários e ameaçam a biodiversidade do cerrado maranhense. “Ao discutir a comunicação com as comunidades, permitimos a elas conhecerem melhor ferramentas e oportunidades para que possam se beneficiar, tanto no aspecto político quanto da comercialização dos produtos oriundos da agricultura familiar e do extrativismo no cerrado maranhense”, observa o presidente do Fórum Carajás, Mayron Régis Borges.


Em pé, à direita, Mayron Régis

O Fórum Carajás promove ainda a melhoria dos sistemas produtivos tradicionais da agricultura familiar, além de atuar também na formação, por meio de diversas estratégias, entre as quais, a comunicação popular como alternativa para fortalecer suas lutas.

  *Da Ascom Inspirar Inovação & Comunicação


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