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Coluna ALÉM DO DIVÃ - Filosofia e Psicanálise – POR QUE AS DEPRESSÕES ESTÃO TÃO COMUNS HOJE?

 Por Josealdo - filósofo, psicólogo e psicanalista

POR QUE AS DEPRESSÕES ESTÃO TÃO COMUNS HOJE?

 As depressões são muito comuns hoje, principalmente as psicológicas, porque na sociedade pós-moderna, consumista, nós nos fixamos entre a categoria do ter. Segundo a metafísica do ter, valemos pelo o que temos e não pelo o que somos. Sob o signo da categoria do ter, a realidade deixa de ter vida, e alegria criadora, transformando-se em voragem de objetos que absorve inexoravelmente quem quer possui-los. Segundo o filósofo Max Horkheimer: "quanto mais intensa é a preocupação do indivíduo com o poder sobre as coisas, mas as coisas o dominarão, mais lhe faltarão os traços individuais e genuínos". Psicanaliticamente falando podemos dizer que isso pode estar relacionado com a tentativa de o sujeito preencher vazios existenciais decorrentes das primitivas angústias de separação, a qual, na imensa maioria das vezes, é consequência das sérias falhas ou faltas dos primitivos cuidados maternos ou paternos.

A sociedade que hoje estamos começou a cobrar das pessoas que o importante é "ter" que "ter” coisas, "ter" que " ter" sucesso, " ter" que ser bonito, ter que ser magro, aumentando assim o conteúdo do depressivo. Nem todo mundo é magro, nem todo mundo é bonito, nem todo mundo tem dinheiro, nem todo mundo tem sucesso.

Na sociedade do ““ter” de viver deixou de ser o princípio. Tem que ser: viver bonito, viver rico, viver feliz, viver cheio de prazer. Então muito desses adolescentes que começam nas drogas (excesso de álcool, maconha etc.) iniciam o uso delas como remédio para mascarar a depressão, porque não são felizes. Não conseguem ser os tops da escola, não vão conseguir a menina ou o menino que querem, porque ela ou ele está de olho em quem "tem" e não em quem "é". A depressão, portanto, aumenta e se mistura com a drogadição, porque o sofrimento hoje é muito maior do que já foi em toda a história da humanidade.

 É a dor de viver nesse contexto. Tenho que seguir alguns preceitos que não tenho. Eu não sou rico, não sou alto, não sou bonito, não sou forte, não sou loiro. Então, hoje na sociedade do "ter” há plásticas, as drogas que anestesiam a angústia, a violência. Como eu não tenho o que acho que tenho que "ter" para ser feliz, eu vou buscar. Vou buscar dinheiro para a droga, para o tênis, dinheiro para "ter poder", para ter festa, para ser reconhecido e admirado pelos os outros, muitas vezes roubando, matando, entrando em contextos patológicos, como vender drogas etc.

  Assim, a violência é uma marca do Estado depressivo porque as pessoas depressivas começam a ficar irritadas, a agredir, se agredir. O suicídio, embora não seja a principal consequência da depressão pode acontecer, mas nem todo depressivo é um suicida.

SOBRE O AUTOR

JOSEALDO SOUSA SILVAnatural de Chapadinha/MA, é formado em Filosofia (UEMA), com licenciatura em Filosofia Cristã pela Faculdade Filadélfia (CE), e graduado em Psicologia (Faculdade Pitágoras), pós-graduado em Psicopedagogia Clínica (Faculdade FAMEP/IESF) e psicanalista praticante, membro da OrLa-Centro Psicanalítico do Maranhão


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