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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

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NEONAZISMO? AMBULANTE NEGRO É ESPANCADO ATÉ A MORTE POR HOMENS NO METRÔ DE SÃO PAULO POR DEFENDER TRAVESTI

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Suspeita é de que criminosos sejam neonazistas, já que levavam socos ingleses e correram atrás de travesti antes de matar o homem negro.
O vendedor ambulante negro Luiz Carlos Ruas, de 54 anos, foi assassinado a golpes de soco inglês e chutes na cabeça na noite de Natal, no último domingo de natal(25), dentro da estação Pedro II, da linha 3-Vermelha, que liga a Barra Funda a Itaquera. A suspeita é que os dois dos agressores sejam integrantes de grupos que pregam atos de intolerância contra negros, homossexuais e nordestinos.
A suspeita de serem neonazistas surgiu não só pelo tipo de armamento que usaram no crime, como em razão de minutos antes terem tentado atacar uma travesti. Toda a ação, que ocorreu na frente da bilheteria da estação, foi captada por câmeras de segurança do Metrô, porém, nenhum agente de segurança estava no local desde a perseguição a travesti até a morte de Ruas.
Ruas, um conhecido vendedor de salgadinhos e refrigerantes da região, era chamado por clientes e colegas de trabalho por Índio. De cabelos grisalhos, o homem de meia idade trabalhava na noite de Natal para complementar a renda familiar, mas teve o desprazer de topar a sua frente com dois homens que, segundo a polícia, estavam na rua decididos a praticar crimes.
Armados com soco inglês, os dois assassinos urinavam no entorno da estação, que fica localizada na região central de SP, quando foram interpelados por uma travesti de que ali não era lugar para fazerem suas necessidades fisiológicas. Foi nesse momento que passaram a perseguir a travesti, que fugiu desesperada pela estação, inclusive passando por baixo da catraca. O pavor da mulher e o ódio da dupla podem ser vistos por suas fisionomias captadas pelas câmeras de segurança. Um dos homens pula a catraca, enquanto o outro toma a mesma atitude da travesti.
A caçada foge do ângulo da imagem, que só mostra os homens de volta. Nesse momento, eles partem para cima de Ruas, que havia, de acordo com testemunhas, pedido calma aos seus algozes e reclamado da ameaça à mulher. Um primeiro soco é dado e o homem já cai. A covardia se intensifica com mais de dez pisões e chutes na sequência todos direcionados na cabeça da vítima.
As agressões intermináveis são assistidas por um grupo de homens e mulheres sem reação. Seguranças do metrô? Nenhum. Os seguranças chegam quando os homens já cansaram de espancar a vítima, que em nenhum momento de sua batalha pela vida deu sinais de reação.
O caso foi registrado no 78º DP (Jardins) como homicídio qualificado, porém será repassado ao 5º DP (Liberdade).
(Da Carta Capital)
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