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domingo, 19 de abril de 2015

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COLUNA DOMINICAL - UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI

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APA DOS MORROS GARAPENSES
FOTO: Morros Garapenses, em Duque Bacelar -  REPRODUÇÃO/Folha do Garapa.
*Por Lázaro Albuquerque Matos
APA é a sigla de Área de Proteção Ambiental. Duque Bacelar tem áreas protegidas por uma APA: a DOS MORROS GARAPENSES. Ela foi constituída pelo Decreto Estadual de nº 25.087, de 31 de dezembro de 2008, do Governo Jackson Lago. 
Essa APA não é uma exclusividade de proteção ambiental somente para Duque Bacelar. Nela, há áreas protegidas nos Municípios de Buriti, Coelho Neto e Afonso Cunha, pois, assim prega o decreto que lhe deu finalidade, com sua criação. A finalidade dada a essa APA pelo decreto do governo do estadual é proteger morros, várzeas, lagos, riachos e as margens do Rio Parnaíba, dentro de sua abrangência, nos municípios que a integram. 
Mas vejo na APA DOS MORROS GARAPENSES predominância do sentimento de bacelaridade contido nela. Esse sentimento vai muito além do sentimentalismo pátrio que os moradores dos outros municípios da APA possam ter. Nela temos, para justificar a predominância de nosso sentimento, os morros que lhe dão nome e o Francisco Carlos, o baluarte que sustenta a criação da APA. Sem o Francisco Carlos, talvez não existisse APA DOS MORROS GARAPENSES em lugar nenhum. 
Dos morros que dão nome à APA, e que por ela são protegidos, três fazem o contorno montanhoso da cidade de Duque Bacelar. De meu conhecimento de infância, tenho-os como sendo o Morro do Limoeiro, o Morro do Chapéu e o Morro da Arapuá. Não sei se eles estão na APA com esses nomes, mas era por esses morros, com esses nomes, quando criança, que eu trilhava, fazendo-lhes batidas nas picadas por onde eu andava. 
O Morro do Limoeiro é o que fica do lado da Igreja de São José, e tem esse nome dado pela lenda que dizia existir nele um pé de limão encantado: era visto num dia; no outro, não. O Morro do Chapéu está localizado no mesmo lado do Limoeiro e é separado dele pela estrada que vai para a balsa, no Rio Parnaíba. O nome dele vem do seu formato de chapéu, visto por trás do Bradesco. Já o Morro da Arapuá está localizado no outro lado da cidade, cujo nome vem da quantidade de exames da abelha dessa espécie que faziam casas nas árvores do morro.
A nomenclatura dos Morros Garapenses não vem ao caso, mas, sim, a proteção que o Francisco Carlos dá a eles por meio da APA. Graças ao trabalho de proteção do Francisco Carlos, por meio de sua abnegada dedicação ambientalista, ainda podemos ver, na primavera, os paus d’arcos floridos enfeitando os morros da APA, dando forma de um boqueirão verde à nossa cidade. 
Vou até tirar o chapéu do morro que leva esse nome para colocá-lo no Francisco Carlos, pela defesa que ele faz dos três morros de sua APA, brigando como os moradores da periferia desses morros para que não desmatem suas quebradas. Manoel Palhares que o diga. 
Na defesa e proteção do Morro do Limoeiro, o Francisco Carlos fica mais azedo do que a água do limão do pé encantado. Ele briga por esse morro com os moradores do Alto dos Mandis, impedindo-os de fazerem roças e caieiras na “centada” do morro, para que ela não seja desmatada.
Defendendo o Morro da Arapuá, o Francisco Carlos já brigou com o prefeito e o vice de Duque Bacelar. Imobilizou-se no chão, enrolado em uma corda, que nem cobra-de-cipó enrolada em um, em pleno sol do meio-dia, até desmaiar.  Sem medo de ser ferroado pelas abelhas que dão nome ao morro, Francisco lutava para que ruas não fossem abertas e casas não fossem construídas no pé de serra onde começa o morro, impedindo, assim, a derrubada de pés de mororó, capitão-do-campo, unha-de-gato, catinca-branca, remela-de-macaco, espinho-branco e outras árvores da região. 
Mesmo que as abelhas-arapuá rodeassem o Francisco Carlos, curiosas com a cena exposta por ele, elas jamais o atacariam, pois elas não têm ferrão, e, se tivessem, poupariam o Francisco de picadas. É que elas também – se ainda é que existam por lá – se beneficiariam com sacrifício autoimposto pelo zeloso e dedicado ambientalista bacelarense.
* Lázaro Albuquerque Matos: bacelarense que adoro escrever crônicas e faz com frequência aos domingos em sua linha do tempo do facebook. 
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