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 O blog iniciou no dia de 17 de março deste ano, esta série especial, onde são publicados textos sobre a vida de poetas, escritores, críticas de livros referentes à Buriti de Inácia Vaz, através do escritor e poeta Francisco Carlos Machado,  autor de sete livros já publicados.
Na COLUNA UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI de hoje, 7 de abril, você vai conhecer o poeta, professor e intelectual José Borges, pai do redator deste CORREIO. Veja abaixo.

JOSÉ BORGES - POETA, INTELECTUAL E PROFESSOR
*Por Francisco Carlos Machado

Nasceu o poeta José Borges em Teresina, capital do Piauí, em 6 de Janeiro de 1950. Quando criança seus pais, a mãe cearense e pai piauiense, se mudaram para o município de União, 60 km da capital, morando no povoado Sítio. O menino Borges cresceu num ambiente rural: com criação de bichos, produção de frutas e verduras, e trabalho em roças. Ele, para se manter, sempre trabalhou duro. Adolescente, estudando para técnico agrícola em Teresina, foi comerciário na Firma Expedito Leite Chaves; depois cobrador e fiscal de ônibus. Posteriormente, foi apontador e auxiliar de contador numa empresa de São Paulo, que tinha filiação em Teresina. Seu último emprego na capital foi de recenseador por um mês no IBGE, quando passou a morar em Coelho Neto na casa de uma irmã, no final de 1970, onde trabalhou cinco meses no Grupo Bacelar. De Julho de 1971, no governo de Uiran Souza, foi secretário adjunto na Prefeitura. Em Coelho Neto conhece a primeira mulher, a buritiense Maria das Graças, casando-se em 1974. Do consórcio, nasceram seus seis primeiros filhos.
Em 1975 eles vieram morar em Buriti. José Borges trabalhou como operador da Telma e escrivão da Polícia da cidade, chegando ser também delegado substituto. Os vereadores gostando dos serviços que ele prestou à comunidade, lhe outorgaram em Setembro de 1979, em uma sessão da Câmara Municipal o título de Cidadão Buritiense.  Em 1983, passa residir em Santa Quitéria, onde trabalhou no INCRA. Nesta cidade foi Secretário na Prefeitura Municipal e professor de diversas disciplinas na Escola Cônego Nestor Cunha. Ele com a família retornam para Buriti. O casamento, porém, com Maria das Graças se desfez no fim de 1990.
Em Buriti, o seu círculo de amizades era formado de membros das diversas camadas sociais. Cultivou grande amizade com o poeta Lili Lago (39 anos mais velho), se tornando companheiros de trabalhos e boemia. Nos botecos e cabarés de Buriti, viviam declamando seus poemas, cantando os dilemas da vida, a terra nativa e as mulheres.
Organizou “Lágrimas de Um Poeta”, coletânea poética com 56 poemas. Na obra, José Borges com uma temática que enfatiza o romantismo, as dores e conflitos do amor pela mulher, os seus dissabores e sofrimentos, transformados em dissabores pessoais e lágrimas doloridas. Borges se dedicou também ao teatro, produzindo algumas peças. Escreveu o cordel “O Sonho de Pelé”, e um estudo sobre a história, a geografia e as personalidades de Buriti, sendo um dos pioneiros em estudar os diversos aspectos do município. Foram também famosos os seus panfletos satíricos e políticos, que circulavam nas ruas da cidade em forma de folhetins.
Em vida não realizou o sonho de ver sua obra “Lágrimas de Um Poeta” publicada, algo que lamentava, assim como outros diversos projetos literários. Em 15 de Outubro de 1997, dia do Educador, por volta das 2h da madrugada, o coração de Zé Borges, intelectual, professor e poeta, acima de tudo, sentiu fortes contrações. Levado às pressas para o hospital Smith Braz, não resistiu, desvanecendo quando o dia clareava. A cidade de Buriti, enlutada, sentiu muito a perda dele, que com sua inteligência multifacetada havia prestado diversos serviços à comunidade em áreas da agronomia ao magistério, do direito ao ativismo esportivo e comunitário; da literatura ao jornalismo.
Seu filho primogênito, Alan Borges, que guardou os manuscritos do pai, testemunha que o poeta Zé Borges “foi um cidadão servidor. Viveu para a educação dos filhos e em servir as comunidades onde estava inserido: Coelho Neto, Buriti e Santa Quitéria. Ele defendia, como advogado, pessoas humildes, que não podiam pagar honorários. E profissional da EMATER-MA, conseguiu muitos projetos como açudes. Ele servia com humildade e dedicação”.

Lágrimas de um poeta

Com dedicação e carinho,
orgulho-me de ser poeta:
necessidade de quem tem amor.
Pois sorris: escrever e amar é profético.

Profetizar nas horas de dor,
lembrando com tristeza e alegria.
Abatendo os inimigos do amor,
dando sorrisos e poesia.

Poeta, a pura existência da dor.
Abastado é o poeta que ama de verdade.
Orgulho que banha com prantos, o seu amor.
na busca da felicidade.

Chamo o teu nome, de coração.
Pois, da existência divina, tu és herança.
Alvo da minha existência e razão.
Grito teu nome bem alto e com esperança.

Olho para o céu, vejo estrelas,
lembro os momentos de amor.
Irrigo os meus olhos com lágrimas.
Visto está longe, sinto dor.

Conforto-me escrever sem agonia.
Irrigando com lágrimas, por ser sofredor.
Repito, dedico-lhe esta poesia.
Adeus, até breve - meu amor.



Separação Fatal

Ai, que saudades,
eu tenho do meu amor.
Dos meigos olhares e dos doces beijos.
Ai, que saudades. Sinto dor.

Tuas faces são tão lindas, e a ausência
do teu calor, faz dor no coração.
Tudo isto, somente por culpa
desta fatal separação.

Mas, um dia, eu terei novamente o teu calor,
pois, o meu coração não mente.
Ele palpita, mesmo com dor.
Meu pobre coração,
tudo isto, por culpa desta separação fatal.


O blog iniciou no domingo passado, 17 de março, esta série especial, onde serão publicados textos sobre a vida de poetas, escritores, críticas de livros referentes à Buriti de Inácia Vaz, através do escritor e poeta Francisco Carlos Machado,  autor de sete livros já publicados. Para confira o primeiro texto da série CLIQUE AQUI. 

Na COLUNA UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI de hoje você vai conhecer uma poetisa lírica. Veja abaixo.

ALTAIR MARTINS, POETISA ROMÂNTICA EM BURITI
Poetisa Altair Martins. Foto/crédito: Francisco Carlos.
*Por Francisco Carlos Machado
 Altair Martins Coelho, também conhecida pela alcunha de Senhorinha, é uma poetisa alegre e gentil. Com a altura de 1,50 m, espírito jovem, sorridente, ganha a vida como professora primária. É uma poeta que cultiva na alma  um romantismo amoroso, sofrido  e imaginário.
Nascida em fevereiro de 1956, em Cajapió, sendo a terceira filha de Airton de Sousa Carvalho e de Odinéia de Jesus Martins. Seu pai trabalhava na SUDEPE como técnico, quando em estadia na cidade marítima de Cajapió se enamora de Odinéia, logo se casando.
A itinerância do trabalho do pai da poetisa, os fizeram morar em diversas cidades maranhenses. Depois de deixarem Cajapió foram morar na cidade de Rosário, onde Senhorinha estudou o Ginásio em 1975, na Escola Dom Senhor Geraldo e o Normal na Escola Tomaz Brito Sales, em 1979. Aos 16 anos ela se casa com um homem mais velho, um pescador marítimo, que não a amou. Era rude e beberão, fazendo o casamento se desfazer.
Após a aposentadoria, seu pai conseguindo residência em São Luís leva a família para a capital. A saudade, as lembranças de seu Buriti, porém, pulsaram forte e ele decidiu em 1982 retornar a sua terra natal. E Altair Martins acompanhou seus pais.
Com vida nova em Buriti, Altair começou lecionar no jardim Moranguinho, tendo um sustento. Depois, em 1999, lecionou na Escola Mundo Infantil. O dom de poeta aflorara neste momento na vida de Altair, aos 39 anos. Deu-se quando ela passou sentir forte no seu interior uma necessidade de expor os sentimentos íntimos, então sufocados. Assim, vieram diversos versos e poemas (com temática romântica), escritos em cadernos pequenos, onde um amor do passado, estando longe, vivendo no mundo das emoções e das paixões do poeta era evocado.
Os poemas de Altair Martins são produzidos na quentura da inspiração, quando esta poetisa, nos afazeres domésticos ou na prática da docência com as crianças que educa, é envolvida pelo belo. Logo ela começa registrar suas obras, surgindo os poemas frescos, de singeleza lírica e romântica.
Estando solteira, morando sozinha numa aconchegante e organizada  casa em seu Buriti, Altair Martins é das mais autênticas e sensíveis vozes poéticas buritienses feminina.

Encontro


Quando te encontrei
o dia estava lindo
o sol estava forte
o mar estava calmo.

Quando te encontrei
vieste para mim sorrindo
dando-me um abraço forte
dizendo: eu te amo.

Quando te encontrei
tudo se modificou.
A vida virou um mar de rosas
no nosso amor constante.

Só então lembrei
que tudo se passou.
A esperança e a alegria são gloriosas
quando moram no peito da gente.

  Nosso amor foi tudo
entre pesadelos e sonhos.
Mentiras e realidade,
tristeza e alegria.

Não podemos viver escondidos.
Vamos encontrar nossos caminhos
na pura realidade
do nosso amor em intensa orgia.                                          


 Solidão

Estar sozinho é sentir
falta de alguém,          
um aperto no coração,
andar numa estrada sem fim.

É a falta do teu carinho
O tempo passa, e tu vais e vem.
Uma triste canção.
A morte da rosa e do jasmim.

Solidão é ficar sem teus beijos
Ficar sem teus abraços.
E não achar nossos caminhos.
E o amor que se distancia.
                                     
Solidão é sentir desejos
Duas almas em embaraços
tentando achar seus caminhos
em triste demasia.

Solidão é saudade,
em um canto triste.
É a falta de seu calor,
uma eterna agonia.

Solidão é a ansiedade,
nossa alma ardente.
Vem mais forte o amor
na esperança de te ver um dia. 


 Sobre o autor


A partir deste domingo 17, na  COLUNA UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI, passaremos a publicar uma série  de textos sobre a vida de poetas, escritores, críticas de livros referentes à Buriti de Inácia Vaz, através do escritor e poeta Francisco Carlos Machado,  autor de sete livros já publicados. Confira abaixo o primeiro texto da série.

LILI LAGO, ILUSTRE POETA E FILHO DE BURITI

*Por Francisco Carlos Machado

Poeta Lili Lago. 
Aristotelino Carvalho Lago, vulgarmente Lili Lago, filho de Antônio Teixeira Lago e Laura Rosa de Carvalho Lago, estes oriundos de Brejo, de tradicionais famílias. O bisavô de Lili Lago, Luís Pereira Lago e o avô Luís Pereira do Lago Junior, foram deputados em diversas legislaturas no Estado do Maranhão. Nascido em 31 de Março 1911 em Buriti, fez as primeiras letras na sua terra, de onde partiu para Teresina-PI a cursar o ginásio no emérito Instituto Demóstenes Avelino, fazendo só até o 2º ano.

 Em Buriti, no exercer de ocupações, Lili Lago foi Tabelião Público do 2º Ofício e fundador da Escola Lili Lago, dedicando-se à formação educativa da juventude. Lili foi também o primeiro agente nos Correios de Buriti. Casa-se em Outubro de 1944 com Letícia Faria Costa Lago, que fora sua aluna na escola que fundou, tendo originado do consócio os filhos: Carlos Rogério, Adhemar Wallace, Josélia Maria, Getúlio Roosevett e Aristóteles Lincoln Lago, Aristotelino Carvalho Júnior e Allan Acácio.
 Desejando residir em São Luís, deixa sua terra no ano de 1948. Na capital ocupou os cargos de Secretário e Chefe de Gabinete de diversos prefeitos, chegando a ser um deles presidente da Comissão de Abastecimento de Preços do Maranhão.
 Desde jovem dedicou-se aos estudos de direito, adquirindo o status de advogado provincionado, tendo assim exercido o ofício nas Comarcas de Buriti, Coelho Neto e Chapadinha. Político foi getulista no Estado Novo, e sempre militando no PDT.
Em vida publicou no ano de 1990 o livro “Meu Baixo Sertão”, obra poética dividida em três partes, “Folclore de Salão”; “Miscelânea” e “Memórias de minha Infância”. No livro escrito com versos de rimas leves e transparentes, bastante humor, irreverência e saudosismo, o poeta Lili descreve as suas vivências buritienses: episódios da infância e juventude, o cotidiano e a cultura da gente simples de sua terra, as histórias e os causos; a natureza da chapada, os riachos e morros.
Lili Lago quando organizava em Buriti o lançamento de “Meu Baixo Sertão”, na noite de 30 de Março de 1990, foi acometida de um ataque cardíaco fulminante, que lhe ceifou a vida. Faltavam poucas horas para o poeta completar seus 79 anos, e dos convites para o lançamento já terem sido enviados aos amigos e conterrâneos. 
José Moura, amigo saudosista de Lili, também editor de “Meu Baixo Sertão”, pelo SIOGE, confidencia que Lili Lago era um amigo e uma figura humana formidável. Moura pretendia publicar outra obra poética de Lili, mas após sua morte devolveu o original para a família do poeta. Porém, como um legado cultural e literário para todos, temos em “Meu Baixo Sertão”, um testemunho autêntico de um bom poeta, que lutou por justiça e defendeu os pobres e trabalhadores, descrevendo em versos cândidos os sofrimentos e a vida do povo de seu torrão natal. Um poeta cujo viver intenso, apaixonante, se eternizou na poesia como um menino que nadou no riacho do Morro, catou pequi na chapada, fez grandes amigos, bebeu cachaça a fole e namorou as caboclas e mulatas da terra de Inácia Vaz.
Em 2014, na 3º Edição do Festival de Poesia de Buriti, organizado pela AMIB, Lili Lago foi o homenageado neste ano, tendo assim, partes de sua memória não somente de poeta relembrado e conhecida pelas novas antigas e novas gerações, como seu nome passa ser fixado como um dos ilustres filhos de Buriti.

Sobre o autor


SE A LUTA É SUBLIME, O SILÊNCIO É CRIME.
Área afetada pelo rompimento de barragem da Vale, Brumadinho(MG).


 *Por Benedito Ferreira Marques

Desde quando ouvi um áudio pelo meu celular, ontem, onde uma pessoa que se identifica por especialista em matéria de exploração mineral, fiquei assustado com a informação – não sei se verdadeira -, de que os rompimentos de barragens espalhadas pelo Brasil a fora, como a que ocorreu em Minas Gerais, poderia alcançar o “Velho Chico”, a minha reação foi um “puta que pariu” que ninguém ouviu, porque estava em meu quarto escuro. Toda a inspiração de minha tese de Doutorado, sobre Outorga de Águas, defendida em 2004 (15 anos atrás, portanto), voltou a fervilhar os meus miolos, porque não me contentou o simples “fazer o quê?” Algo dentro de mim e na minha cabeça gritava aos meus ouvidos. “Cara, faz alguma coisa, pô. És brasileiro, sabes falar e escrever. Tens netos, sobrinhos de montão em idade infante. Lembra-te deles”.
A sensação de impotência foi vencida pela conscientização sedimentada ao longo de 33 anos de magistério, se não bastasse a vida de criança e de adolescente, tomando banho em riachos de aguas limpas, moradias de piabas, carás, mandis, traíras, piaus, sarapós, iús e até curimatãs vindas de lagoas a jusante nos córregos intrépidos chamados Tubi e Morro, que banhavam minha Buriti.
Naquele tempo, final dos anos 40 e começo dos anos 50 do século passado, os riachos se alegravam com as chuvas, cujas correntezas produziam barulhos de enxurradas, que se confundiam com os cantares afinados, feito orquestra natural, dos sabias, bem-te-vis e tantos outros. Eram águas abundantes que produziam cacimbas, tipo piscinas naturais, que, para nós, crianças, eram fundos e tinham o piso de areia branca, com a qual misturávamos mangas e cajás caídos, lambuzando os corpos.
Ninguém sabia, então, o que era poluição, nem exploração extensiva de monocultura de soja. O capim e a canaranas, que se juntavam aos juçarais, buritizais, goiabeiras, marmeleiros, mangueiras, cajazeiras e mamoranas frondosas já nos bastavam aos olhos.
No quintal vizinho, cantava o Expedito: “Choveu, choveu; nasceu capim, pro boi comer, e ele cagar, nascer de novo...tan-tan”. Era o “sabiá-homem” celebrando a fartura!
Agora, os riachos estão poluídos e quase secando, à míngua de chuvas, mas os males dos novos tempos triunfam: o lixo, a ganância capitalista da “mais-valia” e a exploração com agrotóxicos em larga escala, escalada nos chapadões d’outrora, dizimando os pequis, cajuís, bacuris e muricis, são esses os nossos algozes. A paisagem é de campos sem sombra e de nascentes mortas, com aterramentos criminosos, debaixo de máquinas pesadas, afugentando os habitantes naturais do cerrado. Nem borboletas escapam à sanha impiedosa do homem-ambição, cujos limites do lucro lhe cegam os olhos e enrijecem os corações já petrificados. O que lhes importa é a alimentação chinesa na contrapartida da fortuna fortuita do brasileiro sem consciência ambiental ,a conferir o volume dos bornais sem fundo.
Fazer o quê? Volta a pergunta que não quer calar. Resistir – diria o interlocutor. Resistir como? Não temos força para enfrentar o rolo compressor do opressor.
 As armas que restam aos conscientes se resumem ao uso da palavra – escrita ou oral, ainda que o ouvinte seja surdo, ainda que o leitor seja cego.  Um só que ouça, um só que veja, o processo de conscientização começa do primeiro que entender o recado. É assim que se faz a resistência,  porque  se a luta é sublime, o silêncio é crime .
Goiânia, 27.01.2019, às 15h58.

                                   Sobre o autor da crônica:

BENEDITO FERREIRA MARQUES é buritiense da prestigiada Família Marques, nascido no Barro Branco, povoado de Buriti/MA, começou seus estudos em escola pública e, com dedicação, foi galgando os degraus que o levariam à universidade. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (1964), mestrado em Direito Agrário pela Universidade Federal de Goiás (1988) e doutorado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (2004). Atualmente é Professor Associado I da Universidade Federal de Goiás. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Comercial, atuando principalmente nos seguintes temas: direito agrário, reforma agrária, função social, contratos agrários e princípios constitucionais. Acompanhou pesquisas, participou de inúmeras bancas examinadoras de mestrado, autor de muitos artigos, textos em jornais, trabalhos publicados em anais de congressos, além de ser escritor de vários livros, entre eles A Guerra da Balaiada, à luz do direito”.

O Amanhecer de Buriti
Ilustração: AMANHECER NA ROÇA/ ©2018 por S. GUIMARÃES - Arte.
*Por Estevão Toinho

O galo alegre canta
Anunciando o novo dia 
A neblina nos encanta
Como é bela esta magia.

O Sino da Igreja Matriz
Bate, Bate no Amanhecer
O chefão na rádio Diz
As notícias pra você. 

 Dona Maria lá na praça
 Com aquele delicioso café
Com simpatia e muita graça
 Grande exemplo de Mulher. 

 Muita gente bem cedinho
Já se encontra no mercado
Olha o peixe do Mocambinho
Delicioso cozido, e assado. 
  
 No calçadão de Dona Iolanda
 Muita gente a palestrar
 Dona Orminda na varanda
Vendo o movimento passar.
  
 Buriti é minha Terra
Razão da minha alegria
Onde o sol nasce na serra 
Começando Um belo Dia.

SAIBA MAIS SOBRE O POETA
O poeta Antônio Estevão Rodrigues, popular Estevão Toinho, nasceu em Itaituba, estado do Pará, no dia 08 de Novembro de 1988. Filho de Maria Aldenora Rodrigues e Antônio Estevão de Oliveira, este falecido no mesmo dia que o poeta nasceu.  Sua mãe, já viúva, veio para o Maranhão e entregou o poeta ainda recém-nascido para uma tia dela em Chapadinha (75 km de Buriti), pois não podia criá-lo e voltou para Itaituba. Estevão então começou ser mau tratado e seu avô materno foi pegá-lo e o levou para morar, no povoado Riacho Seco, município de Buriti –MA. Devido à pobreza extrema, com apenas 2 anos de idade, foi entregue para uma senhora chamada Raimunda e seu marido Chagas em 1991.  O casal que também residia no povoado Riacho Seco foi quem criou o poeta com muito amor e carinho. Do jardim até a 4ª série, estudou no colégio Marcelino Balaio, onde aprendeu ler e escrever, depois estudou no Colégio Francisco Alves Ferreira, no povoado Barro Branco, lá concluiu o Ensino Fundamental, e terminou a educação básica no colégio Maria Luiza Novais Viana, onde concluiu o Ensino médio.
BURITI 79 ANOS, O QUE TEMOS A COMEMORAR.

*Por Djalma Passos

Ah, minha querida Buriti! 
A simples troca de idade, embora continues uma Jovem Senhora, é um acontecimento indelével na memória de todos os buritienses, até mesmo no meio dos mais insensíveis. Eu, um dos teus filhos orgulhosos deste privilégio, que acompanho consciente, o teu caminhar desde os meus sete anos de vida, já alfabetizado, posso afirmar, que apesar dos percalços na vida dos humanos, cuja falha não te atinge, ainda que tu sendo mãe, muito temos a comemorar. 
Nascestes gloriosa, provida de um manancial de águas puras, cristalinas, de uma Mata verdejante, cheia de uma variedade de árvores frutíferas de variadas espécies, de uma flora e de uma fauna que tanto encantou a todos os filhos teus, que em teu solo viviam felizes, mesmo distantes de um progresso, com o qual tanto sonharam. Era a época das lamparinas, do fogão de lenha, da água do pote mais frio, da bilha, do transporte no lombo dos cavalos, dos burros, dos jumentos, dos carros de bois, entretanto da Paz, da Alegria, da Confraternização entre irmãos. 
Alcançamos vagarosamente a evolução, a partir do filtro de barro para conservação da água que era naturalmente límpida, diminuímos o uso das lamparinas com a chegada do MOTOR DE LUZ, na área urbana, chegamos ao uso da bicicleta movida a tração humana, dos caminhões que juntavam os passageiros aos sacos de babaçu e de outros gêneros numa só carrada, e era a glória, era o progresso sonhado chegando devagarinho. Logo em seguida, aparecia uma novidade maravilhosa, a Política, através da qual iríamos escolher os nossos legítimos representantes, especialmente os governantes do município, do estado e da nação, muito especialmente os nossos PREFEITOS, que maravilha, mesmo que estas escolhas viessem envelopadas pelos chefes políticos com os nomes que só conheceríamos após a apuração das urnas indevassáveis. Assim pensavam os eleitores de outrora. 
Sempre evoluindo, a primeira JARDINEIRA entrou em ação,  como meio de transporte moderno, levando a nossa gente rumo à capital do estado, cruzando chapadas, com sete passageiros sentados num banco para sete pessoas, mas às vezes, pra colaborar, alojavam-se nove. Era ótimo! Era seu Bizé o dono desse maravilhoso meio de transporte, nosso herói. Adonias e Latenaide, já poderiam pensar em ficar livres de todos nós. 
Depois de muito viajarmos na saudosa JARDINEIRA, chegou finalmente a vez do EXPRESSO, Express Timbira, o apogeu nessa área. E a política, ah, a política agora estava mais modernizada, todavia evoluída da maneira mais cruel, mais dinheiro para município e seus habitantes, que aos poucos foram se tornando vítimas da Ganância dos seus Prefeitos e representantes. Eram todos corruptos? Quase todos, ou pelo menos alguns, mais comedidos. A história recente mostrou o terrível resultado desse meio maléfico de cuidar dos bens do PÚBLICO.
Tivemos progresso sim, mas tivemos mais dissabores. Temos o que comemorar? Temos sim, interrompendo a caminhada veloz de parte de um Grupo de Malfeitores que buscava a tua morte e a da tua gente, Buriti querida. 
Mudamos o rumo dessa história de Corrupção, ou no mínimo tentamos, descobrimos como dissolver QUADRILHAS. Adquirimos coragem para gritar aos quatro cantos do município, de olhar de frente para o Chefe do Executivo Municipal e dizer-lhe: estamos sabendo o que ocorre nos bastidores, sabemos o montante das dotações destinadas ao município, sabemos como estão sendo distribuídas e quem são os beneficiados,   o elegemos para ser o instrumento de restauração da nossa cidade, não para trocarmos de Quadrilheiro Chefe, o denunciaremos juntamente com sua equipe se assim agirem, na forma e sob os auspícios da Lei. 
Esses são os motivos concretos que temos para comemorar, Buriti de todos os buritienses, estamos ao teu lado, dentro de ti e CONTIGO. 
FELIZ ANIVERSÁRIO Buriti, com a proteção de SANT'ANA e do Senhor Nosso DEUS de bondade!

*DJALMA PASSOS: buritiense, ardoroso amante da minha terra, deu meus primeiros passos no velho Grupo Escolar Antonio Faria, cursou o Ginásio Industrial na antiga Escola Técnica Federal do Maranhão, estudei o Curso Científico no Liceu Piauiense e o concluiu no Liceu Maranhense, militou na área de educação, orientando nas matérias português e inglês. Cursou a Faculdade de Direito de São Luís/UFMA, pós-graduado no primeiro Curso de Formação de Magistrado do Maranhão, Direito Civil e Penal, Delegado de Polícia Civil concursado, aposentado na Classe Especial, exerceu todos os cargos de comando da Secretaria de Segurança Pública, inclusive o de Secretário. É advogado legalmente inscrito e em dia, na OAB/MA em atividade, detesta injustiça de qualquer ordem, principalmente praticada contra pobres e oprimidos, em favor dos quais atua! Adora minha Buriti e tudo o que ela ainda tem de bela, principalmente a sua gente!
O SÃO JOÃO DE BURITI
ILUSTRAÇÃO: Óleo Sobre Tela, Obra de Mara D. Toledo.  

*Por Edivaldo Morcego Muzenza

 A festa é uma alegria onde muitos querem vir.
É uma festa bonita o São João de Buriti.
De todos os santos padroeiros, das quermesses, liturgia ou oração.
Nada se compara com a folia, da festa de São João.

O povo tem sua tradição mediante as suas culturas.
Não tem credo e nem cor, é uma festa com amor, onde não há amargura.
Tem as comidas típicas da nossa zona rural.
Da canjica a pamonha, tem a galinha caipira, carne de bode e até o mingau.

A fogueira não pode faltar nas festas de São João.
Tem que ter o sabor da roça, para não perder a tradição.
A festa não é para a mídia, mas para a alegria da população.
Pena que muitos se esquecem, e acabam fazendo confusão.

As apresentações demonstram a voz da comunidade.
Que passa o ano inteiro sem ter a sua identidade.
É uma forma simples do povo se manifestar.
Que não tem o incentivo dos grandes, nem voz, vez ou lugar.

Meu São João, e todos os santos padroeiros.
Abençoe a nossa cidade e nos livre dos desordeiros.
Ajude a este povo a cultura reconhecer.
Proteja a nossa gente, não deixe que o poder mate a nossa cultura, por isso eu peço a você...
*Francisco Edivaldo Santos de Macedo, popular Edivaldo Muzenza, nascido aos 11 dias de agosto de 1982 no povoado Sapucaia, cerca de 12 km da sede de Buriti/MA, é professor de educação física, graduado pela UNIESBRA (União dos Institutos de Ensino Superior do Brasil). Praticante de capoeira desde ano de 1998, também desenvolve um trabalho com este esporte pela AMIB, entidade onde é membro desde 2012. Atualmente trabalha atualmente pelo CRAS, como facilitador social.
Manifesto Do Trabalhador
Ilustração: "Trabalhador de Roça", do artista Waldomiro de Deus.
*Por Prof. Lulu (poema escrito em 1º de maio de 2017.)

Trabalhador brasileiro,
Guerreiro valente,
Estão burlando, os direitos da gente,
Levante-se, temos batalha pela frente,
Barrar as reformas do senhor Presidente.
Não "Temeremos" nem tremeremos,
E tão pouco nos calaremos
Diante desse abuso de poder
Que unidos haveremos de vencer!

Mãos a obra é hora de lutar,
O futuro não é nada promissor,
Promete aniquilar,
As conquistas do trabalhador.

Essa, é a vontade,
Desse governo golpista,
Autoritário, que de para-quedas chegou à Presidência.
E que agora, planeja alterar a Previdência,
Tirar de cena a CLT, a principal lei trabalhista,
Kyrie Eleisson! Senhor Piedade!

Quer reformar?
Que reforme o salário do executivo, do parlamentar,
Que comece essa reforma, por aí, pelo planalto,
Onde se imagina ter o salário mais alto
Quer reformar, quer mexer,
Presidente Temer.

Mexa com o Congresso, com o Senador,
Quer mexer? mexa com o governador de Estado,
Com essa súcia de Deputado,
E que deixe em paz, o pobre do trabalhador.

Se aceitar alguma sugestão,
Pode-se sugerir, sem se cobrar nenhum tostão,
Pra não se correr,
O grande risco de morrer,
Pelo mal da corrupção.

Se tiver coragem, diminua,
Com excesso de mordomia,
De toda a classe politica, a começar pela sua,
Supõe-se que assim não será preciso aumentar a idade pra aposentadoria.

E aquele dinheiro, que os políticos, pra se livrar do imposto brasileiro,
Mandam direto pro estrangeiro?
E aquela propina, extorquida do empreiteiro?

E ainda tem mais, muito mais,
Senhores ministros, senhor presidente,
Que pode ser feito, sem afetar diretamente,
A vida de milhões de brasileiros iguais a gente,
Que não podem ficar desassistidos, nem deixados para trás,
Temos ainda o famoso "Caixa Dois"
Ou sobra de campanha que vai parar em paraísos fiscais,
E que só serão gastos, muito tempo depois.

Mas se a ordem é reformar,
Então porque não se ouve nem falar,
Na reforma Agrária,
Abafara m a Reforma Tributária,
E onde está a Reforma Politica,
Que deve ser a mais profunda e analítica?

Avaliar, tudo isso, senhor Presidente,
Seria um bom começo,
Mais sensato, mais coerente,
E o trabalhador, não pagaria tão alto preço. 

*Francisco Luís das C. Rocha: mais conhecido por prof.º Lulu, é buritiense, graduado em Letras pela Universidade Federal do Amazonas e também em Física pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA. Já morou em vários Estados do Brasil, como PI, AM, RO, PA, AP, DF, MT e RJ e por essas andanças acumulou ampla cultura e assimilou os mais diversos costumes regionais sem nunca esquecer as raízes buritienses. Reside atualmente em Buriti-MA e se define como um apaixonado por poesias, em especial os sonetos das variadas escolas literárias, e destaca, entre eles, os parnasianos.

Odonto Company Buriti - Rua da Bandeira, nº 25, salas 10 e 11, Centro.

BIOLAB - Rua Antônio Pereira Mourão, em frente ao HTB(Clínica)

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