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 *Por Ana Baldêz

AOS AMANTES DAS LETRAS E O AMOR PELO LITERÁRIO


Não há comunicação mais fascinante do que expressar-se através das Letras. Desde os primórdios, com seus vestíveis primitivos e com aprimoramento gradativo, pombo-correio, cartas, telegramas e as mais evoluídas hashtags, escrever é surreal. 
Com as letras, é possível viajar em linhas e entrelinhas de todas as sensações e sentimentos, pensamentos e percepções.
A saudade e o amor, por exemplo, são os mais cogitados. Escrever sobre ambos é produzir com a alma, interpretar com o coração e compreender, com a razão, o quase incompreensível. Nesse particular, há casos em que não há letras e palavras suficientes.
Ah, as letras! De boas redações, das canções, dos versos e recordações.  
Na forma brasileira, como falam por aí, usar as letras é “caetanear, buarquear, machadear e cora coralinizar. Na forma maranhense é, então, “aluiziar-se, gullariar-se, entre terras, palmeiras e sabiás, “gonçalvear” em seu exílio...
Mas, é quase impossível falar das Letras, sem falar em Arari, berço da literatura local, através de canções, descrição de paisagens, cultura e tradições tantas. Aqui há sempre algo a ser escrito. Do rio Mearim, por exemplo, as mais variadas inspirações. A cidade é lugar de grandes recordações e das atuais escritas e interpretações da realidade.
Por aqui, “peronizar, clodomir-se-á” e viajar com tantos nomes e renomes que compõem o que se poderia chamar de gênero literário arariense, “josé marisiando, hilton mendonciando, adenilzeando, marise batalheando, edna bezerreando, cleilson fernandeando e tanto outros nomes, com os quais é possível “gerundiar”, pois os mesmos têm amor pelas Letras e, literalmente, a arte de “literar”.
SOBRE A AUTORA
ANA Dorisllanny de J. BALDÊZ, 30 anos, é natural de Buriti-MA. Professora formada no Magistério e graduada em Letras Português/Inglês. Filha de Professora que era amante da Língua Portuguesa, tornou-se amante das letras, tendo por paixão o gênero cordelista e poemas em versos livres.
Residente em Arari há alguns anos, é apaixonada pelo lado cultural e literário da cidade. Já realizou o Mini Festival de Poemas e Poesias, na Escola José Francisco, no Peri-mirim, onde incentivou alguns alunos a mostrarem os talentos, através do ato de ler, escrever e interpretar.
Na oportunidade do referido festival literário, foram homenageados escritores ararienses que fazem parte da ALAC: os confrades Adenildo Bezerra e Cleilson Fernandes.
Atualmente, a professora Ana Baldez ministra aulas partículas, cuja motivação e incentivo é que as crianças até 10 anos de idade saibam ler, escrever, compreender e interpretar, de forma consciente e encantadora.


O MOVIMENTO LITERÁRIO EM NOSSA REGIÃO
A coluna UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI traz uma entrevista com Francisco Carlos Machado, escritor, professor e poeta, especialista no Ensino de História e Geografia e Mestre em Ciências Ambientais. Trabalho com índios Krikati, na região sul do Maranhão, e em nossa região ele se dedica a desenvolver ações socioambientais em Duque Bacelar, Coelho Neto, Afonso Cunha e Buriti, onde além de já ter lecionado em faculdade, também é membro da AMIB há mais de 10 anos.
Nesta entrevista feita em São Luís discutimos sobre a literatura em nossa região.
Correio Buritiense - Desde quando seu interesse pela literatura em nossa região?
Francisco Carlos - Tudo começa pela APA dos Morros Garapenses. Antes dela ser criada passamos ter contato com os municípios que iria formá-la, principalmente em Buriti, onde tivemos um grupo de professores, alunos e membros da AMIB. À medida que fomos criando mais laços e desenvolvendo ações nos municípios fomos conhecendo diversas pessoas, suas realidades e histórias. Porém, em 2010, quando lançamos livros meus em Buriti, Coelho Neto e Afonso Cunha, me foram apresentados diversos poetas e escritores locais (muitos eram pessoas que conhecia socialmente, mas jamais podia imaginar que escreviam), tendo até livros escritos, mas engavetados. Então, diante dessa realidade, tendo a grande necessidade de conhecer todos os aspectos culturais, ambientais, sociais e políticos da APA, propus estudar e descobrir sobre os literatos existem em nossa região. E para minha surpresa, haviam dezenas deles, morando nas cidades garapenses, como fora delas. Outros haviam já falecidos, como Lili Lago, José Borges, bons poetas.
 CB - Diante das descobertas foi decidiu desenvolver ações?
 FC - Sim! A realidade cultural e social precisa ser mudada. Tínhamos poetas e escritores em nossa região, eles não eram motivados com publicação de suas obras, desconhecidos, não estudados, sendo isso muito ruim para a educação e a cultura das cidades. Assim, em Coelho Neto organizamos um Sarau, depois em Duque uma feijoada, e em junho de 2011 o 1ºEncontro de Escritores da APA. Foi um sucesso de público e crítica. Trouxemos escritores de São Luís, Miguel Alves. Depois o Jornal Pequeno que nos deu cobertura passou publicar poemas de nossos poetas, criei um blog para falar de nossos escritores, você que sempre apoiou e criou uma Coluna Literária em seu Blog. Meu desafio maior foi então organizar um estudo dos poetas da região, no qual publiquemos gratuitamente em 2014 em e-book pela internet.

CB - Essas ações surtiram efeitos?
FC - Certamente. Em Coelho Neto eles organizavam um Salão de Livros que em 2012 homenagearam os literatos da cidade, depois em 2014 a prefeitura publicou uma pequena antologia de músicos, escritores e poetas da cidade. Neste ano nós viajemos para Rio +20, e você, Felipe Neres como literatos locais foram na caravana.  Em Buriti, comecei ser jurado e apoiar o Festival de Poesia desenvolvido pela Elizabeth Faria via AMIB. Quando essa ativista publicou a antologia do Festival em suas quartas edição a mesma usou como fonte a Antologia Vozes Poéticas dos Morros Garapenses para traçar o perfil de alguns jurados e poetas homenageados e que faziam o festival, sendo uma grande alegria para mim. E em Duque Bacelar, devido meus livros e a antologia, tanto eu como os poucos poetas da cidade, passaram receber algumas homenagens em trabalhos de escolas. Uma acadêmica do curso de história até desenvolver um TCC sobre minha vida e poesia.

CB - No próximo final de semana estaremos organizando o 2º Encontro Literário da APA dos Morros Garapenses em Buriti, por que demorou mais de 7 anos para a segunda edição?
 FC - A partir de 2013 devido uma nova etapa de vida tive que ir morar em Brasília para estudar linguística, depois fiquei na cidade para fazer pós-graduação, ficando até 2017 no centro oeste, onde terminei o mestrado na cidade de Anápolis. Essas etapas de estudos e meus trabalhos com os índios krikati, faziam que não tivesse mais tempo e recursos maiores para as muitas das ações que antes fazia em nossa região. Agora, de volta ao Maranhão definitivo, podemos fazer algo a mais, como o 2º Encontro Literário em Buriti. E decidimos fazer na cidade, como esteve presente no dia da reunião do CONAMG, em Duque Bacelar, para motivar a criação da Academia de Letras de Buriti, homenageando a APA em seus 10 anos na cidade com esse grande evento, cuja expectativa será maior que o 1º Encontro.
 CB - Quais são as expectativas e atividades?
 FC - São as melhores planejadas e sentidas. Teremos a presença de mais de 20 escritores, poetas, jornalistas e blogueiros vindos de São Luís, Itapecuru, Caxias, Coelho Neto, Miguel Alves e de Buriti, a cidade que sediará o evento. Todos vêm voluntários objetivando a fortalecer as ações culturais literária da região e as ações feitas pelas diferentes pessoas no decorrer desses anos. Sobre as atividades teremos debates, palestras, oficinas e saraus feitos por esses escritores e artistas de Buriti e região. Tudo será aberto ao público, é essa a nossa maneira de contribuir com nossa gente, sua educação e cultura. Virão estudantes do curso de Letras da UEMA, do IFMA, estudantes de Duque Bacelar juntamente com os estudantes de Buriti.

CB - Será de fato um evento grande, tens conseguido apoio?
FC - Sim. E somos gratos a Secretária de Educação de Buriti, professora Rosinalva e sua equipe, o Prefeito da cidade, mais as Secretárias de Duque, Coelho Neto, além da Federação Maranhense de Academias de Letras, famílias que estão hospedando os escritores, e muitos voluntários do CONAMG e AMIB, (como Nunes, Elizabeth Faria, Raimundo Marques e você, Aliandro) que são, as duas, organizações organizadora do Encontro.
       O blog iniciou no dia 17 de março deste ano, esta série especial, onde são publicados textos sobre a vida de poetas, escritores, críticas de livros referentes à Buriti de Inácia Vaz, através do escritor e poeta Francisco Carlos Machado, autor de sete livros já publicados.
       Na COLUNA UM OLHAR LITERÁRIO de hoje, domingo 9/6, você vai conhecer é um dos mais jovens, talentosos e profícuos poetas de Buriti. Veja abaixo.

IGOR AGUIAR, O MAIS JOVEM ESCRITOR DE BURITI

*Por Francisco Carlos Machado

Francisco Igor dos Santos Aguiar nasceu em Buriti em 28 de outubro de 1994.  Dentre os jovens poetas e escritores da região Morros Garapenses é um dos mais talentosos e profícuos.   Sua vocação para as letras se revelou cedo, motivado e revelado, principalmente, dentro do ambiente escolar, no qual desde criança sempre gostou de frequentar. Ele “chegava a chorar quando menino nos dias que era impedido de ir pra escola”, nos revelou seus pais, a professora Maria da Conceição Aguiar e o agricultor familiar Arinaldo Pereira.
Logo a aprender a ler e pela vocação nata para as letras e literatura, Igor Aguiar foi mergulhando e se encantando com o mundo dos livros, passando horas trancado lendo e estudando, surgindo assim seus primeiros versos. Neste tempo, Buriti como cidade pequena que não possuía jornal; os escritores locais viviam em anonimato e não possuíam agremiação social literária, nem tão pouca a revolução democrática da internet e redes sociais haviam chegado ao local, os escritos de Igor ficavam só para ele.  Até quer, aos 12 anos, em 2006, na escola Carmem Costa, motivado pela professora Maria do Carmo, a popular Biá, conhecedora da sua inclinação para a escrita, ele é estimulado escrever uma peça teatral, chamada “A Riqueza e Ambição”, no qual ele além de autor e diretor, também encenou. Foi assim nesta e em outras peças escritas por ele, todas apresentadas na escola.  
Quando a AMIB organizou o Festival de Poesia de Buriti, Igor começou participar, sendo classificado e ganhando prêmios, ora pela boa qualidade do poema, ora pelas bonitas performances que interpretava seus textos. Em 2012 ele foi classificado na 2º edição do Festival; sendo premiado no Festival de 2014 com o poema “Manifesto”, uma crítica social contra o espírito de não participação social tanto do povo como da juventude para alcançar mudanças precisas; em 2016, com o poema “Curto, Comento e Compartilho”, ele ganhou o 1 º lugar na categoria juvenil no Festival de Poesia de Buriti, fato que sucedeu em 2018, com outro belo poema “Ei, garota! ”, no qual ficou em 2º Lugar no V FEBUP. Tendo assim viabilidade na cidade de Buriti como um talentoso autor de peças teatrais escolares e poeta premiado do maior festival da cidade – que vivendo novos tempos através de ONGs e das escolas estimulando com mais dinamismo seus talentos literários - Igor Aguiar, em 2017, através do site Clube de Autores, publica, aos 22 anos, o romance “Libertação”, cujo cenário ambientado em Buriti, envolve três amigos do 2º ano do ensino médio, discutindo temas como amizade, amor, cleptomania, homofobia e outros dilemas que envolvem os jovens. Com a obra publicada nacionalmente ele se tornou nosso primeiro romancista que produziu um livro deste gênero vivendo ainda em Buriti.
Em 2018 após a conclusão de sua graduação em Administração pela UEMA, campus Coelho Neto, ele passou para jornalismo na UFMA, campus de Imperatriz, onde atualmente reside, continuando produzindo e tendo diversos projetos e sonhos pessoais e literários em construção.

Alegria que vem com as gotas

Estalos de chuva no teto da casa
Sinto leve alegria
O cheiro do chão molhado
Desperta em mim bela sintonia

Aconchego-me nos cobertores
criarei  sonhos impossíveis.
Mergulharei nesse momento
em mundos criados por pensamentos.

Aqui dentro tudo está bem
Sinto-me protegido
Não quero sair pra fora
Viva aqui uma realidade eufórica.

Essas gotas d’água são ricas
Trazem vida a minha terra
A grama antes seca e degradada
Agora está verde e iluminada

Essa chuva dança num bom ritmo
Cria novos horizontes
Sim, tudo está renovado
Para mim e para todo o povo

SOBRE O AUTOR

O blog iniciou no dia 17 de março deste ano, esta série especial, onde são publicados textos sobre a vida de poetas, escritores, críticas de livros referentes à Buriti de Inácia Vaz, através do escritor e poeta Francisco Carlos Machado,  autor de sete livros já publicados.
Na COLUNA UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI de hoje (6/5) você vai conhecer um pouco da vida do poeta mais velho atualmente vivendo na cidade. Veja abaixo.

Abraão Ribeiro, o poeta mais velho atualmente vivendo em Buriti

*Por Francisco Carlos Machado

O inverno caudaloso do ano de 1924 fez o rio Parnaíba avançar assustadoramente pelo povoado São Francisco, distante 6 km da cidade de Buriti. Zulmira Marques, diante das tribulações das inundações, dá à luz o sexto filho. O seu marido Gideão Ribeiro, católico fervoroso, batizou o menino de Abraão, em alusão ao patriarca bíblico.  Em um ambiente religioso de orações a Deus, aos santos e leituras da Bíblia no cair da tarde, feitas por seu pai para a família e os vizinhos, Abraão Ribeiro cresceu.
Na realidade de família rural, com pequenas posses, o menino passou a ajudar desde cedo nas lavouras, na criação dos animais e na extração de frutos nativos do cerrado. Não tendo professora em seu povoado e já com idade de alfabetização, aos sete anos, Abraão caminhava 2 km até a casa da professora Tonica Guimarães, que seus pais contrataram para lhe ensinar a ler, escrever e contar. Ele cursou somente um ano de estudos particulares, conseguindo ser alfabetizado.  Em 1933, um golpe terrível abateu Abraão e a sua família.  Seu pai, Gideão, morre de “serão” depois de pegar um forte resfriado numa chuva. A família do falecido inicialmente passou grandes dificuldades financeiras, conseguindo superá-las.
Em 1944 Abraão casa-se com Angélica Januário. O enlace foi celebrado pelo Padre Alfredo Bacelar, na época pároco de Buriti e Coelho Neto. Após o casório passaram morar no povoado Salamanca. Vieram os primeiros filhos e na busca de melhorias para a família moraram em diversos povoados como Boa Hora, João Lobo, Sítio Velho, Vargens, Pedras, onde sempre trabalhavam na lavoura e em pequenas vendas. Em 1974 mudaram definitivamente para a cidade de Buriti.
Morando na cidade de Buriti, Abraão que desde criança foi católico praticante, se envolve mais ainda nas atividades e celebrações da Paróquia de Sant’Ana.  Nesta década disseminando a Teologia da Libertação pelo Brasil, ele com alguns buritienses tendo contato com essa doutrina e com consentimento dos padres Júlio e José Costa, fundaram dezenas de Comunidades Eclesiásticas de Base - CEBs, em povoados de Buriti.
É neste momento da vida de Abraão Ribeiro, no consolidar do líder religioso/comunitário, que surge o poeta, pois tendo que catequizar o povo, começou a escrever poemas e cordéis, literatura que muito gostava, sendo leitor desde criança. Logo ele passou a militar na política. Funda partidos, concorrendo a cargos de vereador e vice-prefeito, contudo, nunca obteve êxito.  O que não o impediu de continuar trabalhando pelo povo buritiense, tanto na política, como em movimentos sociais, onde fundou a Colônia de Caça e Pesca, e alguns Conselhos Municipais. Neste ínterim, escrevia seus textos, poemas e cordéis. Publicou o cordel “Minha Terra”, com 300 versos, descrevendo com muita riqueza e simplicidade os ecossistemas de Buriti, sua flora e fauna, a vida social, cultura e a religião de sua terra. Muitos de seus textos são homenagens a pessoas e sobre datas comemorativas, numa poética cheia de lirismo e romantismo. Ele começou a escrever sua autobiografia, deixando-a, incompleta. 
De idade avançada recebeu uma comenda em 2010 de “Ilustre Cidadão Buritiense”, por prestar relevante contribuição à arte, a cultura e a população de Buriti, recente teve um dos seus poemas classificados no Festival de Poesia de Buriti que muito tem contribuído para mostrar na comunidade e região os poetas da cidade. 

Sobre o Amor

Vou escrever sobre o amor
dando a minha opinião:
existe o amor verdadeiro
e outros de traição.
O amor é como dordonho.
Ele nasce nos olhos,
mas quem manda é o coração.

O amor verdadeiro origina-se de Deus.
Quando o amor é realista
a gente  não o compra
O amor a gente conquista.    
Seja de que forma for
nunca se iluda com o amor
logo na primeira vista.

O amor real vem de Deus
O falso é uma farsa
O amor sincero é como uma rocha
O falso é como uma fumaça.
O amor que não é puro             
só fica seguro
enquanto o vento passa.

O amor ilusório e corriqueiro
em todo lugar é capaz.
Em cidades e povoações
é onde se praticam mais
Ele é como a vela
que se parece tão bela
mas com o calor se desfaz.



Jovens se um dia o cupido
invadir seu coração
bote os joelhos em terra.
a Deus peça sua proteção
Pode não ser seu amado
é outro que vem de lado
com amor de traição.

Essa palavra atraente
conhecida por amor
é uma palavra abstrata
Ela queima com ardor
mas quando não é fiel
amarga mais do que fel
 e perde todo o sabor.


 Agora caro leitor
 faça sua meditação.
 Se seu amor é real
 ou é só uma ilusão.
 Dobre os joelhos com fé.
 e peça o Senhor Javé
 pela sua convenção.                                         


SOBRE O AUTOR


O blog iniciou no domingo 17 de março deste ano, esta série especial, onde são publicados textos sobre a vida de poetas, escritores, críticas de livros referentes à Buriti de Inácia Vaz, através do escritor e poeta Francisco Carlos Machado,  autor de sete livros já publicados.
Na COLUNA UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI de hoje, domingo 21/4, uma breve crítica sobre a autobiografia de Horocídio Marques, líder exemplar da família Ferreira Marques, cujo legado moral e cultural orgulha os buritienses. Veja abaixo.
Horocídio Marques - Seu legado cultural e familiar exemplar

*Por Francisco Carlos Machado
Embora o número de escritores e poetas oriundos da cidade de Buriti não seja grande, na mesma, porém, existe a maior produção de escritos editados na e sobre a região por seus literatos.  Existindo também algumas obras engavetadas, anônimas até, as quais - para enriquecimento da história, a cultura, educação da cidade e região - se deveria fazer maiores esforços, dando os estímulos precisos para temos mais publicações.
Destacamos entre as produções buritienses os gêneros literários de biografias, autobiografias e poesia. Os dois primeiros gêneros citados: as histórias de vida de um personagem da cidade contadas por outro (como a vida de Oswaldo de Farias) e as histórias de vida narradas pelas próprias pessoas, como a de José Faria, irmão de Felinto e Oswaldo de Faria, publicado em 1990; também as bem escritas autobiografias de Raimundo Marques (Do Riacho ao Mar) e de seu pai Horocídio Marques, “80 anos – Minha Vida! Meus Filhos! Meu Mundo!”, lançado em primeira edição em 1995; tendo segunda edição em 2012 com novo título “Horo Mar – Vidas por Vidas”.
As biografias e autobiografias são fontes para se conhecer a história pessoal, como social de um lugar. Pierre Bourdier, sociólogo francês, num ensaio sobre biografias, as define como acontecimentos com colocações e deslocamentos no espaço social, de posições ocupadas por indivíduos biológicos “socialmente instituídos”, inquirindo seu objetivo, valor e o sentido delas serem escritas.  Logo, ao citarmos essas considerações, vemos na autobiografia de Horocídio Marques, publicado pelo autor em 1995, no completar de seus 80 anos, subsídios que sustentam as afirmações, pois sua obra, não apenas deseja o querer memorizar na história fatos e acontecidos de seu mundo e sua vida, mas, principalmente, mostrar o que fez e viveu para concretizar seus grandes projetos de vida: a construção de um lar e uma família digna, com base moral e intelectual que forjasse que sua prole alcançasse sucesso nos sonhos que abraçariam na vida.
Na autobiografia as etapas da vida de Horocídio como produtor rural e comerciante, vividos até os 43 anos em Buriti, são linearmente narradas. A de trabalhador rural (até os 22 anos) e a de comerciante, quando então inicia suas atividades comerciais organizando empreendimentos de vendas em povoados como Riacho Grande, Monte Lino, Barro Branco e em Buriti, nos levando a conhecer certos modos culturais das décadas de 20, 30 e 40 do século XX em relação ao namoro, lavouras de vazantes no rio Parnaíba e às relações comerciais entre chapadeiros e vazanteiros da região, constituindo a meu ver um dos momentos mais interessantes de seu livro. Neste ambiente rural que não oferecia oportunidades para uma educação formal, Horocídio Marques aprendeu o básico de alfabetização, continuando sua formação e busca de saber como autodidata, lendo sempre, se esmerando por conta própria. No  caminhar de sua vida ele se casa com uma moça distinta e com a vinda dos primeiros filhos começa com a mulher planejar uma vida digna para os mesmos.
Assim, quando cinco de seus filhos já possuíam idade para começar o ensino formal, do Barro Branco se mudaram para sede do município. No Buriti, além do comércio, sendo homem de bom convívio social, acabou se enveredando na política, tendo exercido cargo de vereador em 1948-1952. Era época da implantação da oligarquia de Vitorino Freire, onde o coronelismo na política era ordem reinante. Horocídio narra duras perseguições e prisões arbitrárias contra quem ousasse se opor, tendo conivência de certos conterrâneos, cujos nomes são omitidos pelo autor.  
A terceira etapa da vida dele, ocorrida em 1958, quando nomeado Coletor da Fazenda Estadual, exercendo inicialmente em Buriti, depois nas cidades de Vitória do Mearim, São Luís, Zé Doca, Bom Jardim e Santa Inês, atividade exercida até aposenta-se no final da  década de 1970.
De trabalhador rural, aposenta-se como funcionário do Estado, atingindo o último nível na carreira de Coletor de Rendas. Seus noves filhos, no qual desejou inicialmente propiciar pelos “menos o ginásio”, todos tiveram formação superior, comemorado em vida por Horocídio Marques e sua mulher Mariana Ferreira com júbilo e louvor, tornando a história pessoal e familiar desse casal, uma das mais exemplares de Buriti, pelo qual temos a felicidade de conhecer folheando sua obra, tendo leitura agradável. 
Conclui-se ao ler a autobiografia que seu autor foi um homem sensato, prudente e que as lutas travadas em vida, com seus altos e baixos, fizeram com que não somente os seus objetivos pessoais/familiares fossem metas lutadas e alcançadas além do planejamento, mas o tornou, acima de tudo, um homem temente a Deus, feliz, bem aventurado.
SOBRE O AUTOR

Na Terra de Inácia Vaz, um romance
*Por Francisco Carlos Machado
 Dos quatro municípios que formam a APA dos Morros Garapenses Buriti é o que mais possui em sua história uma galeria significativa de poetas, escritores e intelectuais, fruto do incentivo das famílias que desde o Império enviavam seus filhos para estudar fora, criando a ideia na pequena cidade que os estudos são passaportes de ascensão e status social, assim legando a sociedade buritiense membros com boa formação acadêmica, mais um gosto por leitura e literatura, em destaque ao gênero poesia. Não é de se estranhar que atualmente na cidade existam as duas maiores bibliotecas da região dos morros garapenses.
No romance “Na Terra de Inácia Vaz”, de Walfrêdo Machado, publicado em 1975, pela Artenova, no Rio de Janeiro, a análise sociológica dita no paragrafo acima, sobre a intelectualidade e o ambiente literário buritiense é mostrada com mais aprofundamento. Entretanto, nosso texto objetiva analisar, essencialmente, a obra citada de Machado, que já senhor de idade, tendo no currículo dez livros – em sua maioria ensaios literários - publicou seu primeiro romance, no qual o mesmo afirma ser uma reminiscência, dando entender ser a obra um romance autobiográfico de momentos idos vividos em sua adolescência. Ao lançar esse romance (aliás, a primeira obra do gênero ambientada em nossa região), seu autor, um maranhense nascido em Caxias, além das outras obras, também era membro da Federação das Academias de Letras do Brasil; da Associação Brasileira de Imprensa e do o Sindicato de Escritores do Estado do Rio de Janeiro, onde ele viveu boas partes de sua vida.
Então, do que de fato trata o romance Na terra de Inácia Vaz? Qual seu enredo? Quem são os protagonistas?
Ambientado em Buriti, o ano e tempo histórico desse romance ocorreu entre 1914 a 1918, no período da 1º primeira grande guerra. O protagonista da obra, Cláudio, “rapazinho” que logo ao terminar o estudo primário na Escola do Estado em Caxias, a pedido das suas tias ao Coronel Gustavo Miranda (uma das pessoas mais consideradas de Buriti, possuía terras, fazendas, era comerciante e chefe político) viaja na companhia do mesmo num navio gaiola, descendo rio Parnaíba, para passar “umas férias que lhe seriam proveitosas” na cidade. As férias de Cláudio em Buriti duraram um ano e meio, e neste período ele viveu experiências e conheceu pessoas significativas, uma espécie de rito de passagem da infância para a adolescência, marcando profundo sua vida.
As reminiscências de Cláudio no romance são narradas na terceira pessoa, em capitulo breves, constando o “Rumo à terra de Inácia Vaz” (sobre a ida ao lugarejo pelo rio, a cobra que caio dentro do gaiola Floriano que acomodava até 80 passageiros);  no qual tomaram

A grande estrada e era noite quando atingiram o centro da povoação. As ruas não tinham calçamento. Podiam-se entrever à frouxa claridade de dois ou três lampiões de querosene (...)  Na passagem pela via principal, Cláudio olhou a Igreja e benzeu-se. Encontrava-se em Buriti (MACHADO, pág. 13).

E sobre a “A Vila”, terra estranha ao rapazinho, onde ele  irá  ambienta-se ao pequeno e pitoresco lugar de “uns cinco mil habitantes”,  se descreve que a

topografia assemelhava-se a um vale coberto de juçarais e recortado de riachos rolando entre baixos morros que se alongavam e subiam até o chapadão agreste. Paralelas, estendiam-se duas extensas ruas, uma beirando o lado direito da cadeia de morretes que ia até o Tubi, delicioso córrego ensombrado de palmeiras, usado pelas lavadeiras e onde grande parte da população se banhava, e outra, a principal, onde se localizam as melhores casas residenciais e as do comércio                     (MACHADO, pág. 15).

São tempos distantes sim, certamente, a do romance, o Tubi hoje é um filete d’água soterrado, mas o centro de Buriti continua com suas “lojas”, onde numa dessas “ A Loja”, que Cláudio vai conhecer e interagir inicialmente com as personalidades carismáticas da  cidade, como vaqueiros e lavradores, “quase todos correntistas da firma”, que traziam cofos de algodão pra vender, até peles de veado e caititu; como  figuras como o português Albano Vilares,  homem de sete instrumentos, jornal falante da vila, pois era sabedor dos fatos e fofocar correntes.
 No romance os demais personagens que movem a narração, moradores do lugar, são cidadãos de bem, educados, possuindo elevadas e características positivas. Cita-se comerciantes, o promotor público, o maestro, estudantes de direitos e seminaristas da cidade que viajam a Buriti no período que Cláudio lá morou, como pessoas de classes menos afortunadas, como a empregada que o menino tentou ter uma noite de prazeres nos fundo de um quintal, mas interrompido devido o alarme de um cão. Existe no mesmo até um filósofo liberal, filho de família conceituada que nesta época defendia o divórcio, fazia discursos sobre a alma humana e a força do amor, acabando o mesmo se juntando a uma morena rapariga, causando pequeno escândalo na sociedade buritiense.
Walfrêdo leva Cláudio a viver os encontros sociais locais: bailes familiares, saraus, o festejo de S’antana, descrevendo hábitos e costumes dos moradores.  E nestes eventos que ele conheceu Ângela, vindo à mesma ser sua primeira grande paixão da vida. Uma paixão que não pode ser vivida, pois o rapaz teve um concorrente forte, Eduardo, estudante de direito da cidade, que ganha à concorrência, tendo o apoio da família e os buritienses, principalmente quando lhe dedica um poema no Jornal “A Voz”, produzido no lugar. E em “Iniciação”, Cláudio vai ter sua experiência de amor com uma mulher solteira, disponível aos prazeres carnais dos jovens do lugar.
  Embora seja um pequeno romance, dividido em quinze capítulos, escrito numa linguagem formal, usando às vezes a voz passiva e simples do caboclo local, a obra “Na Terra de Inácia Vaz”, possui um valor literário/histórico que faz o leitor conhecer mais deste momento social e psicológico que Cláudio experimentou, no qual teve que abandonar partido numa sofrida viajem em lombo de burro até São Luís, no intuito de continuar os estudos e a vida. Porém, o Buriti, sua experiência e suas vivências, com sua gente gentil e trabalhadora, serão lembranças permanentemente do coração do protagonista, fazendo muito anos depois o autor registrar algumas delas em nosso primeiro romance regional.

SOBRE O AUTOR

 O blog iniciou no dia de 17 de março deste ano, esta série especial, onde são publicados textos sobre a vida de poetas, escritores, críticas de livros referentes à Buriti de Inácia Vaz, através do escritor e poeta Francisco Carlos Machado,  autor de sete livros já publicados.
Na COLUNA UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI de hoje, 7 de abril, você vai conhecer o poeta, professor e intelectual José Borges, pai do redator deste CORREIO. Veja abaixo.

JOSÉ BORGES - POETA, INTELECTUAL E PROFESSOR
*Por Francisco Carlos Machado

Nasceu o poeta José Borges em Teresina, capital do Piauí, em 6 de Janeiro de 1950. Quando criança seus pais, a mãe cearense e pai piauiense, se mudaram para o município de União, 60 km da capital, morando no povoado Sítio. O menino Borges cresceu num ambiente rural: com criação de bichos, produção de frutas e verduras, e trabalho em roças. Ele, para se manter, sempre trabalhou duro. Adolescente, estudando para técnico agrícola em Teresina, foi comerciário na Firma Expedito Leite Chaves; depois cobrador e fiscal de ônibus. Posteriormente, foi apontador e auxiliar de contador numa empresa de São Paulo, que tinha filiação em Teresina. Seu último emprego na capital foi de recenseador por um mês no IBGE, quando passou a morar em Coelho Neto na casa de uma irmã, no final de 1970, onde trabalhou cinco meses no Grupo Bacelar. De Julho de 1971, no governo de Uiran Souza, foi secretário adjunto na Prefeitura. Em Coelho Neto conhece a primeira mulher, a buritiense Maria das Graças, casando-se em 1974. Do consórcio, nasceram seus seis primeiros filhos.
Em 1975 eles vieram morar em Buriti. José Borges trabalhou como operador da Telma e escrivão da Polícia da cidade, chegando ser também delegado substituto. Os vereadores gostando dos serviços que ele prestou à comunidade, lhe outorgaram em Setembro de 1979, em uma sessão da Câmara Municipal o título de Cidadão Buritiense.  Em 1983, passa residir em Santa Quitéria, onde trabalhou no INCRA. Nesta cidade foi Secretário na Prefeitura Municipal e professor de diversas disciplinas na Escola Cônego Nestor Cunha. Ele com a família retornam para Buriti. O casamento, porém, com Maria das Graças se desfez no fim de 1990.
Em Buriti, o seu círculo de amizades era formado de membros das diversas camadas sociais. Cultivou grande amizade com o poeta Lili Lago (39 anos mais velho), se tornando companheiros de trabalhos e boemia. Nos botecos e cabarés de Buriti, viviam declamando seus poemas, cantando os dilemas da vida, a terra nativa e as mulheres.
Organizou “Lágrimas de Um Poeta”, coletânea poética com 56 poemas. Na obra, José Borges com uma temática que enfatiza o romantismo, as dores e conflitos do amor pela mulher, os seus dissabores e sofrimentos, transformados em dissabores pessoais e lágrimas doloridas. Borges se dedicou também ao teatro, produzindo algumas peças. Escreveu o cordel “O Sonho de Pelé”, e um estudo sobre a história, a geografia e as personalidades de Buriti, sendo um dos pioneiros em estudar os diversos aspectos do município. Foram também famosos os seus panfletos satíricos e políticos, que circulavam nas ruas da cidade em forma de folhetins.
Em vida não realizou o sonho de ver sua obra “Lágrimas de Um Poeta” publicada, algo que lamentava, assim como outros diversos projetos literários. Em 15 de Outubro de 1997, dia do Educador, por volta das 2h da madrugada, o coração de Zé Borges, intelectual, professor e poeta, acima de tudo, sentiu fortes contrações. Levado às pressas para o hospital Smith Braz, não resistiu, desvanecendo quando o dia clareava. A cidade de Buriti, enlutada, sentiu muito a perda dele, que com sua inteligência multifacetada havia prestado diversos serviços à comunidade em áreas da agronomia ao magistério, do direito ao ativismo esportivo e comunitário; da literatura ao jornalismo.
Seu filho primogênito, Alan Borges, que guardou os manuscritos do pai, testemunha que o poeta Zé Borges “foi um cidadão servidor. Viveu para a educação dos filhos e em servir as comunidades onde estava inserido: Coelho Neto, Buriti e Santa Quitéria. Ele defendia, como advogado, pessoas humildes, que não podiam pagar honorários. E profissional da EMATER-MA, conseguiu muitos projetos como açudes. Ele servia com humildade e dedicação”.

Lágrimas de um poeta

Com dedicação e carinho,
orgulho-me de ser poeta:
necessidade de quem tem amor.
Pois sorris: escrever e amar é profético.

Profetizar nas horas de dor,
lembrando com tristeza e alegria.
Abatendo os inimigos do amor,
dando sorrisos e poesia.

Poeta, a pura existência da dor.
Abastado é o poeta que ama de verdade.
Orgulho que banha com prantos, o seu amor.
na busca da felicidade.

Chamo o teu nome, de coração.
Pois, da existência divina, tu és herança.
Alvo da minha existência e razão.
Grito teu nome bem alto e com esperança.

Olho para o céu, vejo estrelas,
lembro os momentos de amor.
Irrigo os meus olhos com lágrimas.
Visto está longe, sinto dor.

Conforto-me escrever sem agonia.
Irrigando com lágrimas, por ser sofredor.
Repito, dedico-lhe esta poesia.
Adeus, até breve - meu amor.



Separação Fatal

Ai, que saudades,
eu tenho do meu amor.
Dos meigos olhares e dos doces beijos.
Ai, que saudades. Sinto dor.

Tuas faces são tão lindas, e a ausência
do teu calor, faz dor no coração.
Tudo isto, somente por culpa
desta fatal separação.

Mas, um dia, eu terei novamente o teu calor,
pois, o meu coração não mente.
Ele palpita, mesmo com dor.
Meu pobre coração,
tudo isto, por culpa desta separação fatal.


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