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Coluna MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS - MEU BOM AMIGO DAVID BAILEY

  *Por Francisco Carlos Machado

MEU BOM AMIGO DAVID BAILEY  

Antes de escrever do meu amigo David Bailey, preciso escrever algo de seu pai.  

Em 1944, Rogerio Bailey, rapaz de 20 anos, enfrentava os alemães na 2º Guerra no front da  Bathe of the Bulges  (Batalha das Bolhas), onde buscavam ultrapassar o inimigo nazista.  Após atravessa um rio, uma bomba lançada, atingiu sua tropa. Ferindo seriamente, com a coluna comprometida, sem poder andar, Rogério é retirado da batalha. Ele que imaginava não voltar vivo da guerra, hoje aos 98 anos, lúcido, vive no sul do Brasil.  

 Rogerio Bailey, gastou os restantes dos anos de sua vida pra salvar outras vidas, como missionário, entre os indígenas brasileiros, chegando aqui em 1954, aos 30 anos, casado e pai de um filho. Muitos destes anos, na companhia de sua mulher e demais filhos, nascidos em solo brasileiro, foram vividos no sul do Maranhão, entre Imperatriz, Montes Altos e os índios Krikati.

Agora narrarei sobre um dos filhos de Rogério -  David Bailey -  68 anos, nascido em Belém do Pará, meu conhecido desde 2013. E estou   escrevendo algo sobre o mesmo, se dar pelo que ele faz de gentil e humano por mim, se tornando um bom amigo, irmão, orientador; um pouco de confidente e também um pouco de pai. 

O pastor David, como mais gosto de o chamar, na maioria das vezes quando chego na rodoviária de Imperatriz, vai me buscar, como vai me deixar, onde parto ou para São Luís ou Duque Bacelar. Se carro já levou toros de corrida timbira, centenas de caixas de livros e minhas malas pesadas.  Em Imperatriz, seu lar, desde 2014, passou a ser meu abrigo passageiro, onde tenho cama e rede para dormir, café, almoço e jantar, me servido sem exigir nada. Aliás, a casa dele e de pastora Diana Bailey, é um refúgio e abrigo para missionários em transito; indígenas que precisam de uma noite, duas ou três, até mais noites e dias para dormir e se hospedar; resolvendo tudo quanto é de problemas. Já viu um índio Gavião, com a perna amputada, ficar meses sendo cuidado por ele e seus familiares.

Ele não é um santo, mas é um homem bom. O admiro, dentre muitas qualidades, pela calma, senso de humor sempre em alta e sinceridade. Quando o entrevistei a primeira vez, lágrimas desceram de seus olhos referente a ruptura com as Missões Novas Tribos do Brasil, que ao me ver, perdeu um servo de valor.

De volta aos Krikati há 10 dias, antes de ir para as aldeias, primeiro fiquei em Imperatriz um dia para concerta meu celular. David me levou para a agência das Van, donde continuaria a viagem de 100 km até aos nativos originários. Ao chegar em uma sexta na aldeia, o celular, porém, continuava com o mesmo problema. Fazendo – me novamente voltar a essa cidade, e, junto com pastor David, se preparando para viajar a sua outra nacionalidade, os Estados Unidos, onde ficará em uma temporada de seis meses para, dentre diversas questões, acompanhar o nascimento de seu novo neto. Assim, ele está fazendo viajem de despedida entre nossos irmãos de fé indígenas Krikati e Gavião.

Novamente em Imperatriz, meu celular passou o dia inteiro de terça/6 de setembro, com o concertador. Embora ainda estivesse na garantia, ainda tive que pagar 30 conto, dado por pastor David por que o que tinha de recurso, havia acabado.

 Ao chegar em casa deste David amigo, deixando o celular carregando um pouco, fui deslizar a tela para ver as mensagens, mas travou. Por mais que deslizasse meu dedo pra baixo, alto e aos lados do celular, nada de abrir os programas. 

Peguei a bicicleta da casa dos Bailey que uso para me locomover no centro de Imperatriz, chegando em dez minutos no Calçadão coberto do centro da cidade. Expus para o técnico concertador, ele já estressado proferiu alguns impropérios, dizendo que nada tinha ganhado com meu celular (mesmo que já tivesse pago 180 reais). Então mais calmo, ele tocou no portão diminuir e no portão desligar do celular, fazendo o a tela e os programas funcionarem. 

Voltei feliz pedalando a bicicleta pra casa do meu amigo. Todavia, imaginem, uma hora depois, a tela travou novamente. 

. “Só pode ser os meus pecados ou este celular não presta mais mesmo”, falei para pastor David.

- “E eu não vou mais voltar mais pra àquele técnico. Me xingou!

- “Como posso voltar pra aldeia sem celular, sem comunicação. Vou sobreviver como?

  Pastor David Bailey, buscando de novo me ajudar, afirmou que conhecia um outro técnico, amigo dele, que solucionaria o problema e a conta ficaria com ele.  Ele não é rico, mas, generosamente, quis ser anjo para mim. Fomos cada um em uma bicicleta ao técnico.

E este disse que deveria ficar até quinta em Imperatriz (na quarta seria ferido da Independência, algo que não podia), pois ele teria que mudar a tela, cujo concerto sairia por 200 reais.

Diante de não poder ficar em Imperatriz, nem querer que meu amigo brasileiro/estadunidenses pagasse tal valor, juntei força, voltei ao primeiro técnico, eu percebendo ele menos estressado pedi para me ensinar abrir a tela. Ele mostrou como.

Ao voltar no técnico segundo, pastor David me esperava perto da sua bicicleta no calçadão da cidade. Feliz, lhe falei que a solução apenas era apertar no portão diminuir volume e no portão desligar, nisto, a tela era liberada.

- “Coisas simples”, disse o pastor. “Não custava ele   ter ensinado desde começo”. 

- Vamos pra casa? Porém, quando procurei no bolso a chave do cadeado da minha bicicleta, não havia mais chave alguma. Cheguei até voltar no box do primeiro técnico, nunca encontrada. 

Do calçadão coberto da rua comercial de Imperatriz até a casa de pastor David, na rua Amazônia, fui empurrado o pneu da frente da bicicleta, levantando o dianteiro, preso por corrente, tendo a companhia ilustre e verdadeiro do meu amigo brasileiro, dos Estados Unidos e possuidor de alma indígena, que disse que se não fosse me acompanhando, pensaria que seriam um ladrão, podendo sofre represarias.

Eis, então, algo escrito sobre pastor missionário David Bailey, meu bom amigo.


SOBRE O AUTOR- 

Francisco Carlos Machado - Escritor, poeta, professor, titular da cadeira nº 20 da Academia Buritiense de Artes Letras e Ciências (ABALC).


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