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Coluna SEXTA DE NARRATIVAS – O ÔNIBUS DO BIZÉ, O PROGRESSO NO TRANSPORTE BURITIENSE


O Ano era 1960, mês de julho, quando o Senhor BIZÉ, amigo do meu avô Ângelo Pio Passos chegou a nossa cidade dirigindo um Ônibus com Carroceria, bancos para sete passageiros e Cobertura de madeira. Hospedou-se na nossa Casa, para passar o Festejo de Sant'Ana. Após a recepção feita pelo meu avô, estacionou o veículo, uma novidade para nós, e para muitos conterrâneos, sob a sombra de uma frondosa mangueira que existia na frente da mencionada residência.

Todos nós, eu, o meu irmão Wilson, os meus primos e primas ficamos curiosos para saber porque aquele senhor chegou acompanhado somente do ajudante, para passar o período da maior Festa da cidade. Curiosidade logo esclarecida sem perguntas, pois o seu BIZÉ disse para PAPAÉ - era assim que tratávamos o nosso avô - que não tinha ido somente para o Festejo, mas para tentar ganhar algum dinheiro, fazendo passeios rápidos e a preços baixos, pelo Centro da cidade, ideia que PAPAÉ aprovou.

Foi assim que eu andei pela primeira vez, num transporte automotor diferente de caminhão, ao preço exorbitante de um cruzeiro, o equivalente hoje a um real. Eu e Wilson vibramos pois papai já nos tinha dado DEZ CRUZEIROS, cinco cédulas amarelinhas de dois cruzeiros, escrito assim : Cr$ 2, 00 e então garantidos estavam, no mínimo uns dois passeios de ÔNIBUS, que muitos já chamavam de ISPREÇA, era um luxo.

Aquele ÔNIBUS, mesmo rústico, foi um diferencial espetacular e marcante no Festejo de 1960 para todos os buritienses. Já em 1962, quando fiz a minha primeira viagem para São Luís, a fim de prestar Exame de Admissão para a ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DO MARANHÃO, fui exatamente no conhecido e BOM ÔNIBUS do senhor BIZÉ, completamente lotados os sete bancos e a carroceria, dirigido por ele próprio.

Peguei o Ônibus no Povoado Espingarda em uma madrugada do dia 15 de janeiro daquele ano, um tanto preocupado com a chegada a São Luís, pois apesar de levar o endereço da minha tia Arinda, irmã do meu pai, eu não conhecia a cidade. Seu BIZÉ desceu e me indicou o assento no segundo banco e ao lado da gentil, querida e Inesquecível Professora Raimunda Chaves de Lina Sipaúba, um alívio, pois era uma pessoa amiga da minha família, minha professora e logicamente minha amiga também, além de conhecer a capital maranhense, a minha tia Arinda e saber o seu endereço. Um alívio!

Durante a viagem ela me animava , afirmando ter certeza de que eu galgaria uma das primeiras vagas naquele certame e que estava torcendo e pedindo a Nossa Senhora SANT'ANA, padroeira de Buriti, para interceder por mim junto ao Senhor nosso DEUS dizendo-me que acreditasse e tivesse Fé. Tudo era novidade para mim, incluindo o refrigerante JESUS de fabricação genuinamente maranhense. Tornou-se logo o meu preferido durante a viagem e ainda hoje, com moderação.

Finalmente chegamos à capital gonçalvina e na casa da minha tia, no bairro do João Paulo, próximo ao Quartel do 24 BC, as 18:00 h, e o senhor BIZÉ a pedido da professora Raimunda Chaves, me ajudou a transportar a minha bagagem até o portão da residência da tia Arinda que me recebeu alegremente.

Em São Luís, chegou o dia das provas para o Exame de Admissão concorridíssimo, principalmente pela vaga ao INTERNATO para alunos do interior iguais a mim. Submeti-me com os demais candidatos em torno de 250 e, como uma premunição, a torcida e os pedidos da PROFESSORA Raimunda Chaves funcionaram como uma prece e eu classifiquei-me em Décimo lugar, com direito ao sonhado INTERNATO, mais um Sonho buscado com persistência e luta ALCANÇADO, com a benevolência do nosso DEUS de bondade.

Alegria e muitos Vivas em São Luís e em Buriti, pois o meu Pai e a minha Mãe foram comunicados pelo CORREIO DO INTERIOR da Rádio DIFUSORA através do Rádio PHILCO TRANSGLOBO à Pilhas de lanterna. Lembranças que ainda hoje me emocionam ! Senhor BIZÉ, o senhor e o seu ÔNIBUS, fazem parte da História da minha Buriti Querida, da minha Gente LINDA e da minha História pessoal. Receba onde estiver, e certamente está no Jardim dos JUSTOS, o meu AGRADECIMENTO e O TÍTULO DE HERÓI POR MÉRITO, do TRANSPORTE MODERNO BURITIENSE!

SOBRE O AUTOR

É buritiense, ardoroso amante da sua terra, deu seus primeiros passos no velho Grupo Escolar Antônia Faria, cursou o Ginásio Industrial na Escola Técnica Federal do Maranhão e Científico no Liceu piauiense e no Liceu maranhense, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito/UFMA, é advogado inscrito na OAB/MA, ativo, Pós-graduado em Direito Civil, Direito Penal e Curso de Formação de Magistrado pela Escola de Magistrados do Maranhão, Delegado de Polícia Civil, Classe Especial, aposentado, exerceu todos os cargos de comando da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, incluindo o de Secretário. Detesta injustiça de qualquer natureza, principalmente contra os pobres e oprimidos, com trabalho realizado em favor destes, inclusive na Comarca de Buriti.

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