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Coluna SEXTA DE NARRATIVAS - EU, UM DEFLORADOR MÁGICO E UM PROMOTOR ASTUTO

 

Um caso judicial ocorrido no Ano de 1980 na Comarca de São José de Ribamar na Grande São Luís ou Zona Metropolitana, nunca definitivamente instalada.

O Juiz de Direito Titular da Comarca era o buritiense Edigar Alves de Carvalho, meu amigo, muito competente, probo, no entanto muito irreverente, na Verdade, na parte engraçada da irreverência, no meu sentir. O ilustre Promotor de Justiça, também era competente, probo, buritiense e também meu amigo.

A audiência era de interrogatório do acusado de Crime de Defloramento, quando o homem desvirginava uma moça que ainda não tinha mantido relação sexual, sem o seu consentimento. Depois este CRIME passou a ser de Estupro e é muito mais complicado e injusto.  Basta que o homem faça qualquer gesto que signifique um assédio a uma pessoa do sexo feminino, menor de 14 anos, mesmo já desvirginada, e será julgado e condenado a uma dura pena de prisão.

 Zeferino Pereira Pimenta era o acusado de quatro Defloramentos somente na Vara Criminal de Ribamar, com histórico de outros casos nas demais cidades da ILHA dos AMORES. Eu, também buritiense, era o advogado defensor desse Mágico Sedutor, consciente de que a defesa não seria fácil, diante da vida pregressa do meu Constituinte e já o havia orientado da gravidade, de como deveria se comportar na audiência, e que não se alterasse com o que ouvisse do Magistrado e nem do Promotor. Deixasse comigo as reações.

Lida a Denúncia pelo Magistrado, que no seu estilo, ao final da leitura exortou o acusado assim: tu és casado ou és só mesmo um Jumento Pastor? Todos os presentes riram, inclusive o acusado, respondendo ao meritíssimo Juiz, "não sin-ô dotô, eu só góxtu de namoráá, rim, rim, rin". Foi o suficiente para o doutor Edigar esbravejar: tu é um Fii dum- a éguaaaaaa, e novamente o riso foi geral, com o acusado participando, sem demonstrar nenhuma preocupação com o seu futuro. O Juiz passou o processo para o Promotor dizendo: É com o Senhor Doutor Promotor, que passou a interrogar o acusado:

Seu Zeferino, o Senhor pode nos dizer como fazia para conseguir deflorar tantas moças bonitas, segundo se vê nos autos? Ele, marotamente, apesar de ter recebido a minha orientação, repetiu o sorriso:  rim, rim, rim, eu botava a mão nus ômbru delas, aí eu convidava pá gente passiá aí acontecíaaaaa, rim, rim, rim.

O Promotor mostrando surpresa, perguntou: só fazia isso e conseguia praticar o coito? Ele respondeu que, não  sin- ô, dotô, eu xêrava o cangóti delas aí nós fazia o negóçooo. O Promotor muito calmo, perguntou: que negócio, seu Zeferino? Ele novamente respondeu dizendo: óra dotô, NÓIZ  Frandiavaaaaa! Neste momento, na sala de audiência ecoou uma gargalhada geral, eu inclusive. ri muito.

O Promotor ainda sorrindo, perguntou se todas as moças eram virgem, e ele mostrando satisfação pessoal, respondeu que SIM SIN-Ô, rim, rim, rim! O Promotor faz a última pergunta:  o Senhor já foi preso alguma vez? Ele respondeu, rim, rim, rim, Deus no liveee, rim, rim, rim.

Chegou a minha vez de perguntar. Percebi que o meu Constituinte era um beócio convencido, fechei o semblante, com aquela vontade de esganar o Senhor Zeferino e perguntei-lhe: Senhor Zeferino, o senhor ainda quer deflorar mais moças sabendo que será preso por muitos anos? Ele respondeu, rim, rim, rim, Deus me liveee.
O senhor está arrependido do que fez e de se achar tão ENGRAÇADO? Ele mostrando estar assustado e ter finalmente entendido que estava enrolado, respondeu siiiiim, meu dotôooooo, sin, sinhô meu dotôoooo.

A audiência terminou, despedi-me do Juiz e do Promotor, e chamei o Senhor Zeferino. Ele disse, só um istantin dotôoo e seguiu na direção do Promotor. Ao chegar bem próximo pôs a mão no ombro dele e disse: Eu queria falar un- a palavrinha- com o sin- ô  dotôooo!
O Promotor olhou para ele, pegou a sua mão com força  e gritoooooou: TIRAAA ESSA MÃO do meu OMBROOOOO, TARADOOOO!

Assim terminou a audiência. Zeferino Pereira Pimenta, foi ao final do processo, absolvido de dois Crimes naquele processo, pois conseguimos provar, que duas das moças tinham idade Civil e penal acima dos dezoito anos. Ganha um doce de buriti da nossa Buriti querida, quem adivinhar o nome do Promotor.

SOBRE O AUTOR

É buritiense, ardoroso amante da sua terra, deu seus primeiros passos no velho Grupo Escolar Antônia Faria, cursou o Ginásio Industrial na Escola Técnica Federal do Maranhão e Científico no Liceu piauiense e no Liceu maranhense, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito/UFMA, é advogado inscrito na OAB/MA, ativo, Pós-graduado em Direito Civil, Direito Penal e Curso de Formação de Magistrado pela Escola de Magistrados do Maranhão, Delegado de Polícia Civil, Classe Especial, aposentado, exerceu todos os cargos de comando da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, incluindo o de Secretário. Detesta injustiça de qualquer natureza, principalmente contra os pobres e oprimidos, com trabalho realizado em favor destes, inclusive na Comarca de Buriti.

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