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Coluna SEXTA DE NARRATIVAS - BUGÍ, UM FEITICEIRO ASTUTO

A minha Mente é o meu Relicário mais precioso onde se alojam quase todos os acontecimentos da minha bela Infância na minha Buriti querida, quando os Quadrantes da nossa cidade eram próximos da Praça Matriz - Praça Felinto Faria. Fatos reais envolvendo todas as camadas sociais, que despertavam a minha atenção e curiosidade, incluindo os que às vezes me assustavam, como os ligados à bruxaria, até quando descobri que os bruxos que eu conheci eram somente espertalhões. Lembro-me de um Expulsador de Serpentes, o ZÉ das COBRAS, que apareceu em Laranjeiras e ganhou um paneiro de milho debulhado para mandar embora todas as cobras venenosas da nossa propriedade. Ouvi o meu Pai conversando com ele dizendo: ZE DAS COBRAS, já veio enganar os Bestas? Pega três litros de milho e vai mentir em outro lugar. Ele quis retrucar, no entanto, meu Pai reagiu com um aceno mandando-o seguir em frente. Curioso, perguntei e Papai respondeu-me: meu filho, esses feiticeiros são somente uns mentirosos enganando os tolos.

O protagonista desta narrativa era conhecido pelo nome de CHICO BUGÍ e ainda vive. Eu tinha dez anos quando o conheci trabalhando no Engenho do seu Miguel Barbosa na Rua do Curral - Rua da Bandeira - já um rapaz. Alguns anos depois, tomei conhecimento que ele se transformara num Feiticeiro e que ganhara muito dinheiro com seu trabalho de curas de doenças, casos envolvendo desentendimento entre casais de namorados ou de casados. Paixões não correspondidas e uma série de outros supostos milagres.

O caso mais pitoresco que tomei conhecimento, envolvendo a atuação do Grande Feiticeiro BUGÍ, ocorreu com um amigo meu conhecido por SARAPATÉ DE PORCO, cuja esposa, dona BUCHADA DE BODE, sofria de uma patologia nervosa e, segundo ele, as suas crises semanais causava muitos problemas ao casal. Ele também, não Batia muito bom da bola, como dizia o meu amigo ZE FULÔ, e, em decorrência dessa junção nada saudável, a vida na casinha deles tornava-se cada dia mais difícil.

Em uma manhã de primavera, tendo ouvido falar na fama do Feiticeiro BUGÍ, resolveu procurá-lo para uma consulta e foi prontamente atendido, sendo inicialmente orientado a comprar uma vela sete dias e sete noites Roxa e o aguardasse em sua casa a partir das cinco horas da tarde do mesmo dia, junto com a sua esposa, que ele estaria lá para dar início ao Trabalho de CURA.

Contente, o meu amigo retornou para casa e logo após o almoço pediu a sua esposa que banhasse e se preparasse bem vestida às quatro horas da tarde daquele dia para esperar o Curandeiro, que chegou pontualmente no horário combinado à casa dos irmãos em Orixá.

O Irmão BUGÍ começou logo a dar as primeiras instruções ao irmão SARAPATÉ, dizendo solene e calmamente: quando der cinco e meia, VOCÊ pegue a vela, uma caixa de fósforo e vá para o morro atrás da Igreja, procure uma grota que tem lá e espere dar seis horas em ponto. Acenda a vela, se ajoelhe e fique esperando ela queimar até a altura de dois dedos da mão direita. Depois volte pra casa que eu fico com dona BUCHADA DE BODE fazendo os trabalhos até você voltar. Obediente e crente, assim procedeu o esposo amante sem ousar questionar a orientação espiritual.

Logo no primeiro dia, o trabalho de CURA realizado no quarto do casal, com as presenças somente do Curandeiro e da Uranda, as portas e janelas da casa todas fechadas e sem mais ninguém em casa, pois o casal não tinha filhos nem empregados, passou a surtir efeito, a mulher do ZEMANÉ, aliás, do SARAPATÉ DE PORCO, estava bem calminha após a primeira sessão. Durante a queimação da vela, que durou exatamente os sete dias previsto, a CURA se completou, deixando o meu Amigo SARAPATÉ DE PORCO muito FELIZ, mesmo com uma certa enxaqueca originada por alguns boatos da vizinhança insinuando que o nosso renomado FEITICEIRO BUGÍ tivesse utilizado métodos nada ortodoxos para a cura daquela senhora. Depois daquela semana e da CURA miraculosas, voltou a sentir os mesmos sintomas de antes.

Meu amigo SARAPATÉ DE PORCO resolveu buscar os remédios da Botica, receitado por médicos. O hoje Ancião Francisco Bugí, certamente, está vivendo as lembranças da sua Sagacidade, convicto de ter lutado a Boa Luta em favor dos seus irmãos de crença. Em razão disso, eu o distingo na História Cultural da nossa Buriti querida, com o Título de CHICO BUGÍ, UM FEITICEIRO ASTUTO.

SOBRE O AUTOR

É buritiense, ardoroso amante da sua terra, deu seus primeiros passos no velho Grupo Escolar Antônia Faria, cursou o Ginásio Industrial na Escola Técnica Federal do Maranhão e Científico no Liceu piauiense e no Liceu maranhense, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito/UFMA, é advogado inscrito na OAB/MA, ativo, Pós-graduado em Direito Civil, Direito Penal e Curso de Formação de Magistrado pela Escola de Magistrados do Maranhão, Delegado de Polícia Civil, Classe Especial, aposentado, exerceu todos os cargos de comando da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, incluindo o de Secretário. Detesta injustiça de qualquer natureza, principalmente contra os pobres e oprimidos, com trabalho realizado em favor destes, inclusive na Comarca de Buriti.

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