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Coluna SEXTA DE NARRATIVAS - ZÉ CATARINA, UM CALUNGA ROMÂNTICO

 

Eu era um orgulhoso QUINTUANISTA do Curso Primário do Grupo Escolar Antônia Faria, quando fui procurado pelo meu grande amigo ZÉ CATARINA, um CALUNGA do Motorista de caminhão, seu Adonias de saudosa memória (nada parecido com aquela divindade secundária do culto banto). Era sim um Romântico à moda antiga e um ardoroso namorado.

Analfabeto, no entanto, gostava muito de ouvir a leitura de romances de cordel, que ele comprava quando viajava e os trazia para que eu os lesse na calçada da nossa Casa à noite, quando tinha tempo, era sempre um prazer. Lampião Rei do Cangaço, estava na sua vasta preferência, pela bravura de Lampião uma espécie de Bandido Herói e apaixonado pela sua Maria Bonita. Ele se empolgava emocionado.

Surpreendeu - me em uma noite de lua cheia, quando foi procurar-me no horário de sempre trazendo envolto em uma folha de papel de embrulho, uma porção de papéis de cartas enfeitados, muito usados na época, pelo meu grupo etário, dizendo: meu dotôzín - ú, ôgi êú num trôxi rumãnci, vín pidí pá rocê iscrêrrê úm-a cartín-a - bem dilicadín-a prá mín-a nêgaaa!

Perguntei - lhe meio constrangido o que realmente ele desejava dizer para sua namorada e ele retrucou: rocê sábiiii, rocê tomén namorísca, rúm, rúm, rún!

Peguei uma das folhas enfeitadas, que eu já conhecia pois também usava o mesmo modelo e escreví um texto calculadamente dentro do pequeno espaço, li - o e ele respirou pausadamente e falou, rocê é bóóm mêrmúu, êú sabííáá, BRIGÁDÚ!

Dobrei o papel, modelo coração/envelope, era a moda especial de então e o entreguei ao meu amigo, que me agradeceu e se despediu dizendo que iria viajar para São Luís.

Virou costume e todas as vezes que ele iria viajar, a minha missão era escrever a carta para sua namorada, passando a conhecer a intimidade do casal, pois ele repassava os sentimentos deles e os fatos, que eu sem juramento, os guardava em segredo, considerando a amizade e a confiança que ele depositara na minha pessoa. Durante ano de 1962, exceto o mês de dezembro, que eu tive de viajar para São Luís, para fazer o Exame de Admissão ao Ginásio, cumpri o meu compromisso de intérprete, tradutor e escritor secreto do meu amigo ZÉ CATARINA.

Quando comuniquei-lhe que iria viajar, ele me deu um abraço fraternalmente carinhoso, eloquente e falou: indá béém-í quêu noivêíí, pénaa quíí cê nún ráitá aquíí pá cè tistimún-ú! Parabenizei - o, desejei felicidades ao casal e ele mais uma vez se emocionou e agradeceu-me do jeito simples e puro, pela ajuda e por ter guardado o segredo dele e ter colaborado para que ele conquistasse a sua Cara Metade.

Alguns anos se passaram, e eu já profissional, tivemos um reencontro bastante comovente. Ele casado com a sua eterna diva, pai, infelizmente com uma deficiência visual em um dos olhos.

Nos abraçamos, conversamos sobre o nosso passado, sorrimos muito, e novamente ele renovou os agradecimentos e pediu-me que se eu pudesse, ajudasse o filho mais velho dele a conseguir a Carteira Nacional de Habilitação profissional no DETRAN. Graças a nossa Trindade Divina e a nossa Mãe Maria Santíssima, pude atendê-lo em mais este pedido.

Naquele dia aconteceu a nossa despedida definitiva, e HOJE ainda me sensibilizo e sinto-me um homem Abençoadamente Ricooo, por estar VIVO, ATIVO, ter uma História permeada de tantas GLÓRIAS e poder contá-la dizendo: Eu VIVI!

SOBRE O AUTOR

É buritiense, ardoroso amante da sua terra, deu seus primeiros passos no velho Grupo Escolar Antônia Faria, cursou o Ginásio Industrial na Escola Técnica Federal do Maranhão e Científico no Liceu piauiense e no Liceu maranhense, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito/UFMA, é advogado inscrito na OAB/MA, ativo, Pós-graduado em Direito Civil, Direito Penal e Curso de Formação de Magistrado pela Escola de Magistrados do Maranhão, Delegado de Polícia Civil, Classe Especial, aposentado, exerceu todos os cargos de comando da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, incluindo o de Secretário. Detesta injustiça de qualquer natureza, principalmente contra os pobres e oprimidos, com trabalho realizado em favor destes, inclusive na Comarca de Buriti.

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