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Coluna SEXTA DE NARRATIVAS - EU, O TEMPO E A PROFESSORA BERNADETE CUNHA

Meu primeiro dia de aula do primeiro semestre de 1958, no Grupo Escolar Antonio Faria, foi um DIA muito ESPECIAL e MARCANTE.

Eu fui alfabetizado na minha casa, no povoado Laranjeiras, pelo meu Pai e pela minha Mãe, de saudosas memórias, depois “de aprender ler e escrever de carreirinha” dois livrinhos basilares, o ABC e a CARTLHA, usando também um Caderno de CALIGRAFIA.

Uniformizado adequadamente, de calça curta azul, (hoje é bermuda) camisa de mangas curtas, branca, com as letras AF bordadas em azul no bolso esquerdo, sapatos pretos e meias brancas, cheguei ao colégio antes do início das aulas e já encontrei os colegas Felinto Pessoa de Faria e Bernado Onésimo Correia Lima Cunha, a Vigilante dona Rosica e responsável pelos serviços de limpeza, dona Catarina. Ingressamos na sala de aula para nos posicionamos por ordem de chegada, nas respectivas carteiras duplas com acomodações para os livros.

Antes de entrarmos na sala, eu e Felinto combinamos sentarmos na mesma fileira e assim conseguimos comodamente escolhermos a segunda carteira da primeira fila, começando desde aquele dia uma grande AMIZADE.

Em sequência, a chegada das professoras e demais estudantes e logo em seguida a formação da fila para, respeitosamente, com a mão direita postada sobre o peito esquerdo, cantamos o Hino Nacional Brasileiro, sob o comando da Maestrina dona Rosica, de voz impecável. Decorrida a primeira semana, as AMIZADES foram sendo construídas e eu tinha aumentado a minha lista de amigos e de amigas, dentre elas o colega Bernado Onésimo, Delma Cunha, Zélia, Luzia, Osanan, Francisco e quase toda a Turma, uma semana fantástica.

Durante o nosso Caminhar estudantil, os conhecimentos, tanto educacionais quanto sociais, foram crescendo e eu já me tornara também amigo de Bernardo Onésimo. Conheci em consequência a sua mãe, como se guiado por uma LUZ vinda do ALTO, a professora Bernadete Cunha. Educada, meiga, gentil, após uns três encontros, perguntou-me se eu aceitava preparar minhas lições junto com o seu filho Bernado Onésimo, na sua casa. Contente com a proposta, contudo obediente a princípios básicos da época, disse-lhe que sim, no entanto ponderei que necessitava da autorização dos meus avós, que eram os responsáveis por mim, na ausência dos meus pais, ao que ela com um sorriso assentiu, dizendo docemente: é claro querido, irei falar com eles.

E assim, por muitas vezes, a maioria delas, nas semanas que antecediam às provas, eu convivi com ela, com Bernardo, com as suas filhas Nilma, Ana Lúcia e esporadicamente com seu Dilmo, seu esposo, que sempre estava ocupado no comércio de sua propriedade, na própria residência localizada próxima ao Cemitério Municipal.

Durante os cinco anos seguintes, exatamente a duração do Curso Primário de então, a professora Bernadete Cunha foi presente na minha VIDA.

Vibrava de modo puro e sincero, no dia da entrega das provas mensais e semestrais, quando, por bondade da nossa Trindade Divina e da nossa Mãe Maria Santíssima, as professoras anunciavam os resultados e o meu nome aparecia em primeiro lugar.

Ela comentava, a nota do Djalma é só REDONDAAAA e parabenizava-me! Esse comportamento se repetiu até a conclusão do meu QUINTO ANO PRIMÁRIO, meu primeiro DIPLOMA.

Chegou o dia da minha viagem para São Luís, onde eu iria disputar o temido Exame de Admissão para a Escola Técnica Federal do Maranhão. Eu fui comunicá-la e despedir-me dela. Bernardo Onésimo já havia viajado. Ela recebeu-me, deu-me um abraço afetuoso, de alento e de ânimo, dizendo: tenho CERTEZA de que VOCÊ vai passar. Agradeci FELIZ e parti na busca de mais um sonho. Voltei aprovado em décimo primeiro lugar no certame e já matriculado, um Jovem Etecelitanoooo. Quando reencontrei-me com Ela, recebi outro abraço terno, com a exclamação que me embeveceu: Eu Sabiaaaa, VOCÊ será sempre um Vencedor Djalma!

Doze anos transcorridos depois daquela vitória, cheguei a Buriti já advogado. Fui ao antigo endereço da Família Bernadete/Dilmo Cunha, não a encontrando, eles haviam mudado de residência. Coincidentemente eu tinha uma audiência EXATAMENTE naquele dia no FÓRUM Local, que funcionava no prédio onde antes funcionou a Prefeitura de Buriti e a Sede das Escolas Reunidas Municipais.

Estacionei o carro na esquina do prédio e quando caminhava na direção do Cartório da Comarca, ouvi uma voz bastante conhecida a chamar-me: Doutooor Djalmaaaa!

Era ela, a professora Bernadete, minha amiga. Aproximou-se e pediu-me, depois que o senhor se desocupar, venha tomar um cafezinho lá em casa, e apontou na direção da sua nova residência. Assumi o compromisso de atender o seu honroso convite.

Encerrada a audiência, compareci conforme prometido à residência dela, que aguardou-me com uma lauta mesa de café e variados sucos e bolos da nossa Terra e aquela Alegria, Educação e Generosidade contagiantes. Além da audiência vitoriosa, aquele REENCONTRO, aquele dia, foram dádivas divinas. Ela aproveitou e pediu-me que deixasse um recado escrito para o meu ex-colega de Classe Escolar, seu filho Bernado, afirmando que ele iria ficar satisfeito com o aludido recado. Atendi com muito respeito e carinho o seu pedido e depois nos despedindo contentes.

Alguns anos se passaram e ela chegou ao termo da sua jornada nesta NAVE conhecida por VIDA.

Sempre retornei a minha Buriti querida, onde milito como operador do Direito e, em um determinado dia adentrei o Centro de Apoio Pedagógico, para participar de um Júri Popular, na condição de Defensor de dois Acusados.

Ao entrar, visualizei na Recepção o nome da Professora Bernadete Cunha, na condição de HOMENAGEADA, com a Titularidade da referida Instituição Educacional. EMOCIONEI - ME, logicamente.

A sessão do JÚRI terminou com os dois Acusados Absolvidos.

Enquanto eu recebia os generosos cumprimentos de amigos e de amigas, senti ter ouvido a suave, mas eufórica voz da Professora Bernadete Cunha a dizer: Parabéns Djalma, VOCÊ é o que eu sempre falei, um VENCEDOR.

O TEMPO continuou o seu curso natural e eu voltei a residir na minha cidade, na qual VIVI a minha bela infância, onde eu tive a minha primeira namorada e após Desposar uma filha deste mesmo TORRÃO SAGRADO, também Professora, e residente, não por mera coincidência, assim eu penso, na Travessa Professora Bernadete Cunha, hoje o nosso LAR.

Ah, o TEMPO, no seu CAMINHAR inexorável, insculpindo Marcas, Fatos, Acontecimentos e Passagens na minha VIDA, que nem ele mesmo as apaga, porque não lhe compraz, e eu os VIVO, e F
ELIZ lhe sou muitooo AGRADECIDOOOOOO !

Professora Bernadete Cunha, minha bondosa e INESQUECIVEL AMIGA, a Senhora é uma MARCA INAPAGÁVEL na História da nossa Cidade, por toda a sua brilhante trajetória profissional, com dedicação destacada como professora, como cidadã, como pessoa humana, permeada de saber, de Luz, de meiguice e de bondade e também em caráter todo Especial, na minha Historia.

Obrigado por ter feito parte e Comungado comigo o meu TEMPO!

SOBRE O AUTOR

É buritiense, ardoroso amante da sua terra, deu seus primeiros passos no velho Grupo Escolar Antônia Faria, cursou o Ginásio Industrial na Escola Técnica Federal do Maranhão e Científico no Liceu piauiense e no Liceu maranhense, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito/UFMA, é advogado inscrito na OAB/MA, ativo, Pós-graduado em Direito Civil, Direito Penal e Curso de Formação de Magistrado pela Escola de Magistrados do Maranhão, Delegado de Polícia Civil, Classe Especial, aposentado, exerceu todos os cargos de comando da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, incluindo o de Secretário. Detesta injustiça de qualquer natureza, principalmente contra os pobres e oprimidos, com trabalho realizado em favor destes, inclusive na Comarca de Buriti.


*EXCEPCIONALMENTE, este texto foi publicado neste sábado (10)


2 comentários: Leave Your Comments

  1. Antes de iniciar o comentário, pedimos um minuto de silêncio em respeito a Graça Faria, Miguel Chaves, Assunção Veras, Maria da Conceição Silva Costa e Luís Técnico.

    O craque das narrativas já fazia sucesso no sub-11, no primário, a prova foi a constatação e a profecia da professora-técnica e saudosa Bernadete Cunha: joga uma bola REDONDAAAA, não demora muito usará a camisa 10 da Escola Técnica Federal-MA e depois a 10 da UFMA.

    Após ser liberado pelos avós, com multa contratual de sair somente para se formar em Direito, fez tabelinha nos estudos com Bernardo Onésimo. Ambos se tornaram profissionais de sucesso - Djalma, advogado e flamenguista afortunado e Bernardo Onésimo, médico nas Minas Gerais, vascaíno sofredor.

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  2. O esquema para afastar Arnaldo Cardoso já está montando. Te cuida, está arrudiado só de meninos bestas.

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