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Coluna SEXTA DE NARRATIVAS - O CARROSSEL ENCANTADO DA MINHA INFÂNCIA

Impreterivelmente sem atrasar um dia, exatamente no dia primeiro do mês de julho, todas as Escolas da minha Buriti querida liberavam seus alunos para gozarem as maravilhosas férias do meio do ano, com a carga horária devidamente cumprida, provas do semestre entregues.

Daquele momento em diante o pensamento de todos nós, além de nos concentrarmos nas brincadeiras normais, se voltava para a festa da Augusta Padroeira do nosso Berço Sagrado, Nossa Senhora Sant' Ana e, infalivelmente no Carrossel famoso, amado e único, de propriedade do seu JOÃO QUEIROZ, cujos movimentos eram produzidos à tração humana. Na segunda semana do mês, ele começava a ser montado e chamava logo a atenção de todos os buritienses, notadamente a garotada e os seus Pais e mães! Na minha casa, nós, os estudantes de férias, dispensávamos qualquer presente, desde que fossem substituídos pelas moedas  de mil réis e das cédulas de DOIS mil réis amarelinhas e valiosas para fazermos o nosso caixa, a fim de garantirmos a nossa Gastança, com as corridas de bicicleta alugadas do nosso grande Ciclista e amigo PACOTE,  os pirulitos, o caldo de cana, com pão massa fina, do seu Raimundo Suzana, os bolos de tapioca, os rabos de tatu da dona Catarina e de outras produtoras, até  hoje inigualáveis, os balões, os bombons, os refrescos e outras gostosuras, no entanto o  dinheiro para rodarmos no Carrossel, principalmente ao lado da namorada, ah,  esse era intocável, era questão  de honra,  hombridade e compromisso infantil, que nos tornavam verdadeiros senhores de bigodes!

O levantamento do mastro e, depois da solenidade sacra, os olhares ávidos se voltavam para o largo dos brinquedos e dos botequins, contudo a busca maior era por seu JOÃO QUEIROZ, pra nos certificarmos de que o Carrossel, de fato iria rodar naquela primeira noite. Finalmente a visão maravilhosa das luzes do nosso sonho começavam a brilhar, como se fossem estrelas celestiais a nos chamar: venham, venham logo meninos, o sonho de vocês se tornará realidade neste instante!

Iniciada a formação da fila para ingresso no nosso primeiro voo do festejo, lá estavam postados o nosso Gênio Criador do nosso Encantado e Encantador Carrossel, e o moreno, a Máquina Humana, o fortão genial que iria conduzir o nosso disco voador às nuvens e nos tornar completamente felizes! Era de admirar o vigor físico daquele jovem. Normalmente antes de lotar a nossa Nave ele gritava alegremente, “vém-ão paçiar no Aviam-u de Sã-u Civirino, ôndi brinca Ômi, Muié i Mininu, Rumbóara Gêntiii”, era emocionante! Às vezes, ao iniciar a manobra de aterrissagem da maravilhosa nave, a um pedido nosso de Mais uma Voltinha Moreno" e a uma ordem do seu JOÃO QUEIROZ, desligava o freio (seus pés) e arremetia aquela maquina de sonhos, para mais duas, três, cinco voltas, para nossa alegria e os gritos de “obrigado seu JOÃO QUEIROZ”!

Tempo depois, conheci os grandes parques, já modernos, com uma variedade de brinquedos, luzes em profusão de cores, movidos a energia elétrica, lanches diversificados em sabores e formatos e muito alarido de máquinas e de pessoas, parques e brinquedos muito bonitos, mas, aqueles brinquedos, aquele caldo de cana com pão, aqueles rabos de tatu, aqueles pirulitos, os meus amigos e amigas, aquela namorada e aquele CARROSSEL da minha INFÂNCIA, são únicos, queridos, inigualáveis e inesquecíveis! Ah, meu torrão, ah MINHA BURITI! AH, MEU CARROSSEL! Quanta saudade e quantas lembranças tão vivas, tão presentes em meu caminhar, tão acalentadoras nos meus momentos de agruras e tão vivificantes! Ah seu JOÃO QUEIROZ!  O seu nome jamais saiu da minha mente, das minhas lembranças, das mentes e das lembranças de milhares de pessoas que viveram aquela ÉPOCA, que eu a denomino ÉPOCA DE OURO!


SOBRE O AUTOR

É buritiense, ardoroso amante da sua terra, deu seus primeiros passos no velho Grupo Escolar Antônia Faria, cursou o Ginásio Industrial na Escola Técnica Federal do Maranhão e Científico no Liceu piauiense e no Liceu maranhense, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito/UFMA, é advogado inscrito na OAB/MA, ativo, Pós-graduado em Direito Civil, Direito Penal e Curso de Formação de Magistrado pela Escola de Magistrados do Maranhão, Delegado de Polícia Civil, Classe Especial, aposentado, exerceu todos os cargos de comando da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, incluindo o de Secretário. Detesta injustiça de qualquer natureza, principalmente contra os pobres e oprimidos, com trabalho realizado em favor destes, inclusive na Comarca de Buriti. 

4 comentários: Leave Your Comments

  1. Parabéns, meu amigo Djalma. Você consegue transportar, com sua narrativa, a vida de crianças e adultos do Buriti romântico para os dias atuais. Valeu!!! E toma a vacina para você continuar nos presenteado com seus textos. Não vai na conversa da turma antivacina. Não faça parte da turma do negacionismo. Se cuida.

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  2. Gente alguém sabe do salário de dezembro de 2020 ??? Vamos receber ainda ????

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  3. Adoro ler as narrativas do Dr.Djalma!Parabéns!!

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  4. Bela narrativa meu conterrâneo esta sua coluna é um verdadeiro presente que nos faz volta no tempo .....

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