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Coluna SIM, É O BENEDITO - A COVID 19 E OS GAFANHOTOS

 *Benedito Ferreira Marques

  A COVID 19 E OS GAFANHOTOS

  Tenho, para mim, que não há um brasileiro que não tenha ouvido falar em “Corona Vírus”, COVID 19, pandemia, empatia, isolamento social, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, usar máscara, “fique em casa”, curva, achatamento de curva, pico, contaminação, infecção, colapsar, “teste-teste-teste”, enfim, mortes, mortes e mortes a milhares...Creio, também, que todos os brasileiros -  inclusive os que vivem em aldeias indígenas e os chamados “em situações de ruas” (sem teto) -, tenham ouvido falar em ”efeitos colaterais”, “cloroquina”, leitos, UTIs, SUS, e até em “lock down”. Ouvi um áudio nas redes sociais em que uma pessoa, euforicamente, dizia: “êta nome bonito”!  Muitos pais irão batizar seus filhos com esse nome, para ficarem famosos como jogadores de futebol: o “Lock Down” joga pra porra”! Já pensou?

O mundo inteiro, a partir da China, foi atacado por esse terrível inimigo invisível, antes chamado apenas “Corona Vírus”, depois oficializado como “COVID 19”. A epidemia alastrou-se de tal modo, que passou ao nível de pandemia. O mundo parou. “Corona” viria do formato de uma coroa, mas houve quem justificasse o nome, porque gosta mais dos “coroas”. O Ministro da Saúde (já demitido, porque estava ficando muito popular), mandava (ou “mandetava”), convicto: “cuidem dos idosos” !!! De repente, começou a morrer gente não idosa. Os infectologistas justificavam que essa incidência de morte de pessoas mais novas decorria da “comorbidade” e, aí, se incorporou mais uma palavra nos dicionário, que nunca fora aberto por seu dono. Se o fizesse até a inicial “Z”, encontraria os vocábulos “genocida” e até mesmo “sicofanta”, que é definido como “mentiroso”, muito em moda em tempos de “fake news”. Houve quem dissesse que aquelas cenas tristes de enterros coletivos, um caixão sobre outro, em Manaus (AM) eram montagens das televisões, destinadas a estimular o “fique em casa”. Seria uma fórmula engenhosa demoníaca, para além de “fake news”. Que horror! Enterros e cremações sem velórios !? Nunca se viu isso. Os impropérios dos familiares aflitos eram mais do que “liberdade de expressão”, ainda que em forma de xingamentos hostis.  Tenho rezado muito para não ouvir: “não tem leito”, “não tem UTI”, “não tem respiradores”, “não tem médicos intensivistas”, “não tem remédios”, o “sistema colapsou”; “só temos uma cloroquina no “bolso”, quer encarar? Então assina aqui a autorização, sem choro nem vela. Que autorização é essa? É um “protocolo do Ministério da Saúde”. Fazer o quê? Melhor seria morrer em casa...

 Ninguém tolera o descaso, ninguém suporta as dores de enterros ou cremações, sem despedidas dignas. O único alento é culpar alguém ou a todos, menos os profissionais da saúde na linha de frente. Não sem razão, tornou-se costumeiras as cenas diárias de aplausos a quem conseguiu vencer a doença. As altas são festejadas, alegremente, misturando-se lágrimas de alegria com as de alívio.

Nesses cenários de tristezas e alegrias misturadas, pesquisadores e Universidades do mundo inteiro se debruçam em laboratórios, buscando antídotos para a doença invisível, avaliando experimentos, na busca de vacinas eficazes, sem se descuidarem dos efeitos colaterais desse ou daquele medicamento. Estamos em guerra! E, em guerra, tudo vale, até o dinheiro minguado de ajudas emergenciais mal distribuídas que se transformam em popularidades efêmeras de políticos profissionais.

Enquanto isso, a mídia vem se ocupando, nos últimos dias, de outra notícia catastróficas: a ameaça de nuvens de gafanhotos famintos, vindos da Argentina e se aproximando do Uruguai, em direção ao Rio Grande do Sul. Se isso acontecer – Deus nos livre! – de sul a norte o Brasil será literalmente “comido” pelos “maleditos” invertebrados. Dizem que essas nuvens são compostas de 40 milhões de gafanhotos, capazes de devorar uma extensa área de lavoura de qualquer plantio, em um só dia. Haja soja, haja milho, haja feijão!   Quatrocentos milhões dessa praga seria irrisória, se fossem divididas para cada brasileiro. Dois gafanhotos torrados e com um tempero apimentado não dariam sequer para um tira-gosto de uma cerveja, como ocorre no México, onde servem grilos fritos para o sabor de quem aprecia iguarias exóticas. Mas centenas de milhares desses insetos de 7 centímetros, não há produtor rural que consiga vencer essas “nuvens”, venham de onde vierem - da Argentina ou do Uruguai. Trata-se, porém, de um inimigo visível e, aí, os milionários do agronegócio já têm a vacina certa: agrotóxicos. Ver-se-ão espetáculos de aviões despejando, em voos rasantes, toneladas de pesticidas para salvar a única atividade que, segundo os especialistas, ainda respira na economia brasileira, já que o comércio está paralisado e a indústria cambaleia nos suspiros da agonia coronariana.

Para os “salvadores da economia”, haverá o salvador discurso de “guerra” aos inimigos visíveis, ainda que as armas de combate hostil produzam os efeitos colaterais da contaminação das águas ribeirinhas e a mortandade, em massa, dos seres vivos da fauna já em extinção.  Se já não temos os pequis, bacuris, cajuís e outros frutos das chapadas da “APA dos Morros Garapenses”, no Maranhão, também não teremos água potável para os moradores do bairro “Alto da Moderação”, na minha querida Buriti (MA).

SOBRE O AUTOR

BENEDITO FERREIRA MARQUES nasceu no dia 11 de novembro de 1939, no povoado Barro Branco, no município de Buriti/MA. Começou seus estudos em escola pública e, com dedicação, foi galgando os degraus que o levariam à universidade. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (1964), especialista em Direito Civil, Direito Agrário e Direito Comercial; mestre em Direito Agrário pela Universidade Federal de Goiás (1988); e doutor em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (2004). Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Comercial, atuando principalmente nos seguintes temas: direito agrário, reforma agrária, função social, contratos agrários e princípios constitucionais.NA Universidade Federal de Goiás, foi Vice-reitor, Coordenador do Curso de Mestrado em Direito Agrário e Diretor da Faculdade de Direito. Na Carreira de magistério, foi professor de Português no Ensino Médio; no Ensino Superior foi professor de Direito Civil, Direito Agrário e Direito Comercial, sendo que, de 1976 a 1984, foi professor de Direito Civil na PUC de Goiás. Acompanhou pesquisas, participou de inúmeras bancas examinadoras de mestrado, autor de muitos artigos, textos em jornais, trabalhos publicados em anais de congressos, além de já ter publicado 12 livros, entre eles “A Guerra da Balaiada, à luz do direito”, “Marcas do Passado”, “Direito Agrário para Concursos”; e “Cambica de Buriti”; entre outros.           

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