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Em julgamento virtual, TRF-4 rejeita recursos de Lula e mantém condenação por sítio de Atibaia


Sede do TRF-4, em Curitiba/PR. 
Os desembargadores que compõem o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em julgamento virtual nesta quarta-feira 6/5, confirmaram a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com pena de prisão em regime fechado, por 17 anos e um mês.

Essa condenação mantém a sentença que havia sido proferida pela 13ª Vara Criminal, de Curitiba (PR), e refere-se ao sítio frequentado pela família de Lula, em Atibaia (SP), e que ele afirma não ser de sua propriedade. Porém, a Operação Lava-Jato apurou que foram feitas diversas reformas e benfeitorias custeadas por empreiteiras que trabalharam para o governo federal durante as gestões petistas.
Uma dessas reformas custou R$ 700 mil e foi bancada pela Odebrecht; outra, de R$ 170 mil, pela OAS; há uma terceira, de R$ 150 mil, paga por José Carlos Bumlai, cujo nome é citado em outros negócios da família do ex-presidente. Outras evidências serviram de embasamento para a condenação, como o fato de haver pertences familiares, como fotos de netos, no sítio e de a esposa de Lula, dona Marisa, ter cuidado pessoalmente de detalhes das reformas, além da compra de um pedalinho para uso no local.
Como o Supremo Tribunal Federal definiu há meses que a prisão em regime fechado só prevalece após condenação em última instância, Lula pode continuar em liberdade, pois foi graças à mesma decisão que ele pôde sair do presídio da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpria pena por outra condenação, de 12 anos, relativa a um apartamento triplex no Guarujá (SP).
Esse é o segundo processo a que Lula respondeu na Justiça Federal após investigações na Lava Jato. O primeiro foi o caso Triplex, pelo qual foi condenado e preso, de abril de 2018 a novembro de 2019.


A defesa do ex-presidente considera injusta a sentença e espera a publicação para definir os próximos passos. Leia a nota na íntegra abaixo.
NOTA DA DEFESA DO EX-PRESIDENTE LULA

Em relação ao julgamento virtual finalizado hoje (06/05/2020) pela 8ª. Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª. Região (“embargos de declaração” - Autos nº 5021365-32.2017.4.04.7000/PR), reforçamos o caráter injusto e arbitrário da decisão que manteve a condenação do ex-presidente Lula, originariamente imposta por sentença proferida por “aproveitamento” de outra sentença proferida pelo ex-juiz Sergio Moro – que também foi o responsável pela instrução do processo com a parcialidade que sempre norteou sua atuação em relação a Lula, como sempre demonstramos e como foi reforçado pelo escândalo da Vaza Jato. Esclarecemos ainda que:
1 – É sintomático que o TRF4, após ter julgado o recurso anterior (apelação) com transmissão ao vivo e grande espetáculo, tenha realizado esse novo julgamento, contraditoriamente, pelo meio virtual, que sequer permite aos advogados de defesa participem do ato e, se o caso, possam fazer as intervenções previstas em lei (Estatuto do Advogado) para esclarecimento de fatos ou para formulação de questões de ordem. Essa situação, por si só, configura violação à garantia constitucional da ampla defesa e violação às prerrogativas dos advogados.
2 – Com a rejeição do recurso, diversas omissões, contradições e obscuridades apontadas em recurso de 318 laudas e que dizem respeito a aspectos essenciais do processo e do mérito do caso deixaram de ser sanadas — inclusive o fato de Lula ter sido condenado nessa ação com base na afirmação de que “seria o principal articulador e avalista de um esquema de corrupção que assolou a Petrobras”, em manifesta contradição com sentença definitiva que foi proferida pela 12ª. Vara Federal de Brasília, que absolveu o ex-presidente dessa condenação com a concordância do Ministério Público Federal (Ação Criminal nº 1026137-89.2018.5.01.3400 – caso conhecido como “Quadrilhão”). Nesta decisão proferida pela Justiça Federal de Brasília, o juiz federal prolator, Dr. Marcos Vinicius Reis Bastos, fez consignar com precisão e de forma inconciliável com as decisões proferidas no processo em referência, que “a utilização distorcida da responsabilização penal, como no caso dos autos de imputação de organização criminosa sem os elementos do tipo objetivo e subjetivo, provoca efeitos nocivos à democracia, dentre elas a grave crise de credibilidade e de legitimação do poder politico como um todo”.
3 – Mesmo com todo o cerceamento de defesa imposto ao longo da fase de instrução pelo então juiz Sergio Moro, conseguimos comprovar, por perícia, a partir da análise da suposta cópia dos sistemas da Odebrecht que estão na posse da Polícia Federal, que os R$ 700 mil que o MPF acusou Lula de ter recebido em suposta reforma no sítio de Atibaia, foram, em verdade, sacados em favor de um alto executivo da própria Odebrecht. A prova, no entanto, foi simplesmente desprezada pela sentença e também pelo TRF4. O que foi levado em consideração foram apenas depoimentos de delatores que foram beneficiados para acusar Lula — inclusive o de Marcelo Odebrecht, que em depoimento posterior, prestado em ação penal que tramita perante a Justiça Federal de Brasília, reconheceu que “é tremendamente injusto fazer uma condenação de Lula sem que esclareça as contradições dos depoimentos de meu pai e Palocci”.
4 – Assim que os votos proferidos no julgamento virtual forem disponibilizados na plataforma do TRF4 definiremos o recurso que será interposto para reverter essa absurda condenação.
Cristiano Zanin Martins

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  1. Respostas
    1. Excelente notícia, esse ladrão tem que voltar a prisão, que é o lugar de todos os corruptos e inclusive, o Neném Mourão.

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