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Coluna SIM, É O BENEDITO - INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO FUNDAMENTAL


·       Benedito Ferreira Marques
INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO FUNDAMENTAL
     Soa como consenso a ideia de que o maior problema da educação brasileira reside no péssimo aproveitamento do estudante no ensino, nos níveis fundamental e médio. Há, também, quem atribua a baixa performance do ensino superior, em cursos de certas instituições públicas ou privadas, autorizadas pelo MEC, ao fraco preparo do acadêmico, por decorrência da falta do conhecimento básico, a despeito de sua classificação em certames classificatórios (ENEM ou vestibulares).
   Quando fazem levantamentos sobre ranking dos cursos universitários, os da rede pública suplantam os da rede privada. Ninguém ignora, porém, que as fragilidades apontadas no ensino fundamental ou no médio ocorrem, na maior das vezes, em estabelecimentos públicos, mantidos pelos municípios (básico), e pelos estados (médio), por força de disposições constitucionais. Há, portanto, um descompasso entre uma realidade e outra, ou seja, os cursos superiores mantidos pelas Universidades Públicas se colocam à frente nas avaliações institucionais, enquanto os cursos de nível fundamental e médio oferecidos pelos municípios e estados (públicos, portanto) são qualificados como “péssimos” e causa determinante do fraco desempenho nos cursos superiores. Sem dúvida, algo está distorcido nesse discurso dicotômico. Por que o ensino em nível fundamental e médio – quase sempre públicos -, estão sendo avaliados como deficientes, e os de nível superior, em instituições públicas, são bem avaliados? Uma indagação que reclama muitas reflexões de educadores e não educadores; enfim, da sociedade.
    Muitas respostas têm sido apresentadas em seminários e simpósios; em dissertações de mestrado e em teses de doutorado, cada uma com propostas. Alguns estudiosos atribuem esse descompasso à sofrível qualificação dos docentes nos níveis inferiores, ao mau aparelhamento dos estabelecimentos (mal servidos de salas de aulas e carteiras desconfortáveis), à falta de ferramentas tecnológicas que permitam o melhor aproveitamento da inteligência infanto-juvenil, e até mesmo à falta de incentivo às pesquisas mais elementares, além da inexistência de bibliotecas. Tudo isso estaria contribuindo para esse quadro considerado absurdamente desolador da educação brasileira, preocupando a todos. Não foi à toa que, no carnaval desde ano (2020), uma Escola de Samba, em São Paulo, ganhou o primeiro lugar, com o tema relacionado à EDUCAÇÃO, tendo como personagem de referência o educador Paulo Freire. Quero dizer: a raiz do problema pode estar na orientação pedagógica empregada em qualquer nível de ensino, ou na metodologia dos processos educativos. Penso que o estímulo à pesquisa, à guisa de iniciação científica, pode ser um método válido na busca da melhor qualidade do ensino em todos os níveis. Creio mesmo que as universidades públicas logram posições de vanguarda, por causa dos seus projetos de pesquisas, sob orientação de professores com mestrado e doutorado, cursos nos quais se aprimora a pesquisa científica.
     É para essa direção que encaminho esta narrativa. Além da melhor qualificação dos docentes e com estímulos remuneratórios mais dignos, penso que a inteligência infanto-juvenil pode ser muito bem aproveitada para a iniciação científica, desenvolvida em paralelo com o ensino e com a educação física. Pensar a educação com olhares religiosos e doutrina cívico-disciplinar, ao meu modo de ver, pode ser um meio, mas não um método eficiente e suficiente por si mesmo. O caminho é o aproveitamento da inteligência humana, que se revela desde a infância, na busca de respostas às suas curiosidades naturais. E isso só me parece possível com o fomento à instalação de centros de pesquisas, por mais rudimentares que sejam. Bibliotecas ajudam, mas não bastam, se não houver incentivo à leitura.
     Com esse pensamento, uma família – já conhecida como “Família Ferreira Marques” está aparelhando um centro de pesquisa no povoado Barro Branco, em Buriti (MA), voltado para os estudantes de ensino fundamental. Esse centro ainda está em fase embrionária, mas vem sendo tocado com muito ânimo, entusiasmo e esperança. Trata-se de um pequeno espaço climatizado, com acesso à Internet, computador, tela de TV e impressora (inclusive com oferta gratuita de papel), uma biblioteca com dezenas de livros, e pen drives com filmes e documentários educativos.
         Além desse “Centro de Pesquisa”, a família disponibiliza pequeno parque esportivo, constituído de uma quadra cimentada e uma pista de atletismo. Para banhos refrescantes após a prática dos esportes e caminhadas, ainda há uma piscina com água corrente do seu próprio riacho e um projeto de resgate da chapada, com plantios de árvores frutíferas nativas, no meio das quais serão abertas trilhas para passeios de visitantes. Há outros espaços para reuniões e leituras. Tudo isso de graça.
    É uma iniciativa privada pioneira no interior daquele município, que se oferece não apenas aos estudantes da Unidade de ensino fundamental lá existente, mas a quantos, do mesmo nível, que residem na cidade (a 12 km), queiram se beneficiar, gratuitamente, desse aparato tecnológico ainda incipiente.
“Tudo vale a pena se a alma não é pequena” (Fernando Pessoa)
SOBRE O AUTOR

BENEDITO FERREIRA MARQUES nasceu no dia 11 de novembro de 1939, no povoado Barro Branco, no município de Buriti/MA. Começou seus estudos em escola pública e, com dedicação, foi galgando os degraus que o levariam à universidade. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (1964), especialista em Direito Civil, Direito Agrário e Direito Comercial; mestre em Direito Agrário pela Universidade Federal de Goiás (1988); e doutor em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (2004). Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Comercial, atuando principalmente nos seguintes temas: direito agrário, reforma agrária, função social, contratos agrários e princípios constitucionais.NA Universidade Federal de Goiás, foi Vice-reitor, Coordenador do Curso de Mestrado em Direito Agrário e Diretor da Faculdade de Direito. Na Carreira de magistério, foi professor de Português no Ensino Médio; no Ensino Superior foi professor de Direito Civil, Direito Agrário e Direito Comercial, sendo que, de 1976 a 1984, foi professor de Direito Civil na PUC de Goiás. Acompanhou pesquisas, participou de inúmeras bancas examinadoras de mestrado, autor de muitos artigos, textos em jornais, trabalhos publicados em anais de congressos, além de já ter publicado 12 livros, entre eles “A Guerra da Balaiada, à luz do direito”, “Marcas do Passado”, “Direito Agrário para Concursos”; e “Cambica de Buriti”; entre outros.

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