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Coluna SIM, É O BENEDITO - A MOITA RESGATE DA CHAPADA



Benedito Ferreira Marques
                                A MOITA RESGATE DA CHAPADA
            Já ocupei o espaço desta coluna com vigorosos textos, verberando contra a destruição desenfreada das chapadas de Buriti (MA), para cederem lugar ao plantio intensivo de grãos, notadamente de soja. Acentuei que o desmatamento e a implantação de uma nova agricultura, com máquinas pesadas e uso de agrotóxicos, estavam – como ainda estão -, causando danos ambientais de elevadíssima escala. Bradei pelos mananciais daquele município, cujas águas estavam sendo contaminadas pela aplicação aérea de agrotóxicos, se já não bastassem os descuidos com as matas ciliares, mercê da desinformação.
            Com esse cenário dantesco, é inevitável a pergunta: fazer o quê? Há um desequilíbrio entre as forças que se digladiam. Não é o discurso do progresso e do desenvolvimento que convence; é o poderio capitalista da “mais valia” que se impõe. Percebe-se que as forças invencíveis dos grandes agricultores – que não são de lá -, também tolhem reações, gerando a apatia e o conformismo dos que não se aproveitam da colheita orgulhosamente festejada pelos exportadores de grãos. Muitos criticam e lamentam; outros se iludem, se rendem e cedem. Não duvido que haja quem se orgulhe dos campos verdes a perder de vista, cortados pela serpente negra do asfalto, que completa o cenário ilusório de mais um “polo de desenvolvimento na região.
            Mas há, também, os que não se conformam e não se deixam calar e reagem nos limites de suas forças frágeis. Ainda que se nutram de nostalgias inglórias; ainda que seus gritos não tenham eco, perdendo-se no vazio do silêncio conveniente, há os que relutam em aceitar, sem resmungos, a devastação impiedosa do cerrado, que transforma pequenos sítios em ilhas teimosas de cacimbas saciáveis da agonia derradeira e dos suspiros renitentes.
            É dessa maneira que a “Família Ferreira Marques” está reagindo. Numa pequena área, no povoado Barro Branco, de aproximadamente dez hectares, está implantando o Projeto “Moita Resgate da Chapada”, com a audaciosa proposta de plantar mudas das árvores frutíferas da chapada moribunda. Deseja-se legar, às gerações futuras, a ventura de saborearem pequis e bacuris, mangadas e muricis, guabirabas e cajuís, ingás e sapucaias, e até mesmo a água e a carne mole do espinhoso tucum. Quando essas mudas crescerem, florescerem e frutificarem, ter-se-á um pequeno pedaço de cerrado, onde se abrirão trilhas para andantes curiosos.  Será também o resgate da fauna quase extinta, ao som mavioso da passarinhada em festa.
            Esse é um grito solitário que ainda ecoa tímido, mas que tem a virtude do “tentar fazer alguma coisa”, e potencializar adesões voluntárias de outros sitiantes, fortalecendo a esperança.
SOBRE O AUTOR
BENEDITO FERREIRA MARQUES nasceu no dia 11 de novembro de 1939, no povoado Barro Branco, no município de Buriti/MA. Começou seus estudos em escola pública e, com dedicação, foi galgando os degraus que o levariam à universidade. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (1964), especialista em Direito Civil, Direito Agrário e Direito Comercial; mestre em Direito Agrário pela Universidade Federal de Goiás (1988); e doutor em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (2004). Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Comercial, atuando principalmente nos seguintes temas: direito agrário, reforma agrária, função social, contratos agrários e princípios constitucionais.NA Universidade Federal de Goiás, foi Vice-reitor, Coordenador do Curso de Mestrado em Direito Agrário e Diretor da Faculdade de Direito. Na Carreira de magistério, foi professor de Português no Ensino Médio; no Ensino Superior foi professor de Direito Civil, Direito Agrário e Direito Comercial, sendo que, de 1976 a 1984, foi professor de Direito Civil na PUC de Goiás. Acompanhou pesquisas, participou de inúmeras bancas examinadoras de mestrado, autor de muitos artigos, textos em jornais, trabalhos publicados em anais de congressos, além de já ter publicado 12 livros, entre eles “A Guerra da Balaiada, à luz do direito”, “Marcas do Passado”, “Direito Agrário para Concursos”; e “Cambica de Buriti”; entre outros.

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