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COLUNA SIM, É O BENEDITO - O NATAL D´OUTRORA E O D´AGORA


Por Benedito Ferreira Marques
 O NATAL D´OUTRORA E O D´AGORA

Não se ouvem mais os sinos das igrejas, manejados nas torres, com algumas exceções. Ouvem-se melodias antigas que se renovam em novos estilos. O proclamado “espírito natalino” foi ocupado pelo “espírito mercantil”, com as preocupações dos presentes trocados, de “amigos visíveis” ou de “amigos ocultos”. Os apelos comerciais repetem-se de todas as formas e em todos os tons nos ouvidos atentos ou desligados. Uns sorriem e dizem que adoram essa época; outros confessam suas tristezas e angústias. A euforia que antecede o DIA marcado toma conta da maioria, rica ou pobre, preta ou branca, novos ou idosos, vestidos, em andrajos doados ou quase nus. Tudo parece festa, a despeito de cenários distintos, na urbe ou nos campos.
O saudosista solitário enxuga o rosto, ligeiramente banhado com as lembranças dos tempos idos e tenta sorrir como os outros; tenta “entrar no clima”, mas seu olhar é distante. Não há sorrisos contagiantes, senão consolos momentâneos. Não quer estragar a festa dos outros, muito menos das crianças que não escondem esperanças. De repetente, resolve entrar no “clima”, mas só tem a oferecer “causos” e passagens não esquecidas. Percebe que pode convidar os “animados”, entre brindes e goles, a fazerem reflexões. E escolhe os temas: SOLIDARIEDADE -   recomenda que deve ser discreta e sem esperar contrapartidas; RESPEITO – aconselha que ele cabe nas ideias e convicções de todos os matizes – ainda que divirjam das suas -, aceitando as diferenças no pensar e agir. Cada um é cada um. PRECONCEITOS – todos que ainda poluem mentes sãs de seres humanos sãos, são repugnantes, porque afrontam a realidade de que somos diferentes uns dos outros, queiramos ou não. CATÁSTROFES AMBIENTAIS   - estamos convidados a refletir; e não só isso, AGIR individualmente nos limites das forças de cada um e nas circunstâncias que se apresentam. Um palito de higiene dentária atirado em qualquer lugar pode significar um contributo para desastres ambientais, carregado pelas águas ou queimado pelo fogo. O Planeta Terra está em perigo. Basta compreendermos isso, e cada um poderá fazer alguma coisa para afastar esse perigo.
Ainda que incompatíveis com a ambientação festiva, esses quatro temas podem ser considerados presentes imateriais para quem deseja, uns aos outros, um FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO.
Devo acrescentar, ao fim e ao cabo, que não abomino a religiosidade intrínseca que o momento propicia, nem condeno manifestações culturais e tradicionais que ainda aprazem a muitos. Respeito-as, porque   o nascimento do SALVADOR não pode ser considerado apenas um fato histórico. O acontecimento transcende os limites da estribaria e da manjedoura; projeta-se para todo o Planeta Terra, já faz mais de vinte séculos.
 Diante do paradoxo entre o que era e o que é; entre o profano e o religioso, propus essas reflexões que, em sua essência, valem tanto quanto os presentes materiais, para que tenhamos um fim de ano menos tradicional, e mais racional.
SOBRE O AUTOR
BENEDITO FERREIRA MARQUES nasceu no dia 11 de novembro de 1939, no povoado Barro Branco, no município de Buriti/MA. Começou seus estudos em escola pública e, com dedicação, foi galgando os degraus que o levariam à universidade. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (1964), especialista em Direito Civil, Direito Agrário e Direito Comercial; mestre em Direito Agrário pela Universidade Federal de Goiás (1988); e doutor em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (2004). Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Comercial, atuando principalmente nos seguintes temas: direito agrário, reforma agrária, função social, contratos agrários e princípios constitucionais.NA Universidade Federal de Goiás, foi Vice-reitor, Coordenador do Curso de Mestrado em Direito Agrário e Diretor da Faculdade de Direito. Na Carreira de magistério, foi professor de Português no Ensino Médio; no Ensino Superior foi professor de Direito Civil, Direito Agrário e Direito Comercial, sendo que, de 1976 a 1984, foi professor de Direito Civil na PUC de Goiás. Acompanhou pesquisas, participou de inúmeras bancas examinadoras de mestrado, autor de muitos artigos, textos em jornais, trabalhos publicados em anais de congressos, além de já ter publicado 12 livros, entre eles “A Guerra da Balaiada, à luz do direito”, “Marcas do Passado”, “Direito Agrário para Concursos”; e “Cambica de Buriti”; entre outros.
                  

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