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CIENTISTA BRASILEIRO FAZ DOIS PARAPLÉGICOS CAMINHAREM


Pesquisa de Miguel Nicolelis foi publicada na revista 'Nature'; ao longo de diversas sessões, pacientes deram mais de 4.500 passos.
 Do Jornal O Globo
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis Foto: Reprodução
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis publicou na última sexta-feira 10/5 na revista "Scientific Reports" uma pesquisa liderada por ele e que levou dois paraplégicos a caminharem. A partir de várias abordagens combinadas, em especial o desenvolvimento de um novo dispositivo de estimulação muscular e de uma interface cérebro-máquina, dois pacientes com paraplegia crônica "foram capazes de caminhar com segurança apoiados em 70% do peso do próprio corpo, acumulando ao todo 4.580 passos", como explicam os cientistas no estudo.
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A pesquisa é parte do Walk Again Project (Projeto Andar de Novo, em português), um consórcio internacional sem fins lucrativos que reúne pesquisadores em torno da recuperação de pacientes com lesões medulares. Num vídeo publicado pelo projeto, é possível assistir à lenta caminhada dos pacientes. Ele imagina a perna esquerda se movendo, o que aciona a contração de oito músculos naquele membro.
 Os resultados são fruto de muitos anos de pesquisas — os passos das caminhadas se dão ao longo de diversas sessões, com grandes intervalos de tempo entre uma e outra. O vídeo mostra a evolução dos dois pacientes com a interface cérebro-máquina que é considerada não-invasiva. Um deles tem 40 anos, e o outro, 32, que sofreram a lesão há 4 anos e meio e dez anos,
"Aqui novamente as imagens de um feito histórico da balbúrdia da ciência brasileira!", escreveu, fazendo menção à alegação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de "balbúrdia", quando do primeiro anúncio de corte às universidades, então direcionado a apenas três instituições e, depois, ampliado para todas as instituições federais do país. Os cortes geraram reações entre acadêmicos de todo o mundo.  
O trabalho do neurocientista Miguel Nicolelis ganhou notoriedade fora do meio acadêmico, sobretudo quando fez um jovem paraplégico caminhar e dar um chute simbólico numa bola na abertura da Copa no Brasil, em 2014.

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