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domingo, 5 de abril de 2015

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COLUNA DOMINICAL - UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI

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O VATICÍNIO DE UM URUMBERVA INESQUECÍVEL.
*Por Djalma Passos
Ele era um trabalhador rural legítimo, daqueles que pegava o sol, com a mão às primeiras horas matinais e às últimas horas vespertinas, em sua rocinha ou nas dos vizinhos, quando contratado para prestar seus serviços, pois era conhecido no meio em que morava, como CABOCO BOM DE SERVIÇO! Era do povoado Laranjeiras, território da minha querida Buriti, onde eu vivi muitos dias da minha infância! Era, também meu compadre de Fogo, ritual celebrado à beira das fogueiras de São João e São Pedro, com as palavras sacramentais: "São João disse e São Pedro confirmou, que nós seremos compadres, porque Jesus Cristo mandou, viva São João, viva São Pedro e viva nós, meu compadre", dizia -se três vezes, trocando de posição na frente da fogueira!
O nome dele era Francisco Miguel, mas era conhecido por todos, como CHIQUETA. A cobra que tivesse a infelicidade de ser vista por ele, morria imediatamente! As fazedeiras de azeite de babaçu, quando programavam essa atividade, mandavam pedir a ele, que não passasse na frente de suas casas, pois se assim acontecesse, o azeite virava borra! Ele atendia sorrindo a esse apelo!
CHIQUETA, apesar dessa qualidade inexplicável, era uma pessoa muito querida de todos os que o conheceram, realmente trabalhador, dançador exímio, brincalhão, contador de causos, bebedor de tiquira sem perder o "tom", como ele mesmo dizia e, era verdade, porque nunca se registrou uma queda dele e nem uma confusão por ele causada em decorrência de suas farras tiquirais e nem de outros fatos, era alegre e festivo, sempre o foi!
Foi amigo de meu pai e da minha família, trabalhou muito nas nossas roças e farinhadas e participava das matanças de gado vacum, caprinos, ovinos e porcos, pois também era bom nessa arte! 
Parti em busca de outros horizontes e ele conduzia a minha viagem tocando um burro e me acompanhando à cavalo até Buriti de onde algum tempo depois me desloquei confortavelmente em cima de uma carrada de babaçu, no carro do senhor Yoyô Faria, dirigido pelo meu saudoso amigo Lautenaide, para a capital São Luís, sempre voltando nas férias e reencontrando aquele já velho URUMBERVA querido, ouvindo suas lorotas e, contando minhas novidades, que ele as ouvia e ficava encantado!
Venci muitas guerras difíceis e um certo dia, retornei ao torrão natal "amuntado num bicho zoador", como ele chamava, uma Brasília, meu primeiro carro. Foi uma festa. Meu amigo Chiqueta ficou maravilhado e, discretamente, tentou saber o preço do veículo sem perguntar, apenas conjecturando: "cumpade Dijauma, um bichim desse vale um bucado de jacá de terra, né mermu?” Rimos juntos e eu lhe disse o preço do bichim!
Sempre, que eu voltava, o reencontrava e, normalmente ele tinha de ir a uma festa e, todo humilde, me dizia: "cumpade, o caboco véi num tem nem um tustão furado" e eu lhe dava um trocadinho para a cota da festa e da tiquira, suficiente, pra receber dele aquele abraço puro, que me orgulhava!
Voltei um dia e, recebi a notícia de que meu caro Chiqueta, não estava bem de saúde, já ostentando 87 anos de vida. 
Desloquei-me até a casa dele, desta feita em um carro mais potente e o encontrei prostrado numa rede, mas muito lúcido! Presenteou-me, com o sorriso franco de sempre, lhe dei o meu abraço e as minhas lágrimas, mas tentando lhe dar esperanças pedi ao seu filho, que preparasse a sacola de viagem dele, pra que eu o levasse pra Chapadinha em busca de socorro médico. Ele olhou-me fitamente e disse-me: "meu cumpade, você é um homi, e é meu amigu, mar nun si preocupe mais com seu caboco véi, meu camim terminô, me dêxi morrer no mêi dá minha genti" e me pediu um abraço.
Choramos abraçados por alguns segundos e, ainda, com a esperança de que aquela situação pudesse ser revertida, despedi -me dele e da sua família! Ao chegar em São Luís, recebi a triste notícia, do falecimento daquele, que fez parte de um capítulo importante da minha vida!
Cumpria-se o VATICÍNIO DE UM URUMBERVA, que a despeito de analfabeto e sem dotes intelectuais, tinha noção da vida, do respeito, da dignidade, do amor e do termo da jornada terrena! Era um buritiense, que se orgulhava de dizer, que a única cidade que conhecia era Buriti e que não tinha inveja dos que iam embora pra outras "paragens"!  
*Djalma Passos: buritiense, ardoroso amante da minha terra, deu meus primeiros passos no velho Grupo Escolar Antonio Faria, cursei o Ginásio Industrial na antiga Escola Técnica Federal do Maranhão, estudei o Curso Científico no Liceu Piauiense e o conclui no Liceu Maranhense, militei na área de educação, orientando nas matérias português e inglês, cursei a Faculdade de Direito de São Luís/UFMA, pós graduado no primeiro Curso de Formação de Magistrado do Maranhão, Direito Civil e Penal, Delegado de Polícia Civil concursado, aposentado na Classe Especial, exerci todos os cargos de comando da Secretaria de Segurança Pública, inclusive o de Secretário, advogado legalmente inscrito e em dia, na OAB/MA em atividade, detesto injustiça de qualquer ordem, principalmente praticada contra pobres e oprimidos, em favor dos quais atuo, como o fiz no último Júri realizado em Buriti no último dia 02 de dezembro próximo passado! Adoro minha Buriti e tudo o que ela ainda tem de bela, principalmente a sua gente!
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