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domingo, 8 de março de 2015

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COLUNA DOMINICAL - UM OLHAR LITERÁRIO DE BURITI

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OS MÚSICOS DAS MINHAS FESTAS
*Por Djalma Passos
Na minha Buriti querida de outrora, não existiam as Bandas, que hoje, enchem de zoeira o local das festas, as ruas e a cidade inteira e, encantam e agradam a muitos, com um espetáculo muitas vezes mais voltado à excitação sexual, do que para a beleza da dança do corpo, visando o enlevo da alma, da mente e dos corações amantes e amados!
No passado, o Cine Teatro Municipal da nossa cidade e o salão da Prefeitura Municipal eram os centros principais das duas festas mais famosas! Os Conjuntos musicais genuinamente buritienses eram os dos meus queridos amigos ZUZINHA, saxofonista, com seus irmãos CHICHICO, acordeonista e DELEGADO, baterista, o do FAQUINHA, saxofonista e seu parceiro OTÁVIO, acordeonista e logicamente um baterista, que não me recordo o nome! Havia outros conjuntos famosos na região do Parnaíba, como ZECA MAIA E CUIDADO, acordeonistas, chamados de Grandes Sanfoneiros, e eram mesmo.
Faziam de seus acordeons ou sanfonas, verdadeiras orquestras, tal a habilidade que possuíam! Os meus conjuntos preferidos, todavia, eram mesmo os do ZUZINHA e o do FAQUINHA, por uma razão muito simples e plausível, eles tocavam pra sociedade buritiense, como um todo, mas atendia a minha clientela, os MENINOS, como nos chamavam e já sabiam, que no meio da negociação do contrato, tinha a famosa pechincha, normalmente aceita! Era uma ALEGRIA, quando o contrato era concluído e, na verdade, sempre o foram satisfatoriamente! E os MENINOS, cumpriam a sua parte!
As nossas festas, também se realizavam, no salão coberto do Grupo Escolar Antonio Faria, o primeiro grande Colégio público da cidade. Festas regadas a guaraná champanhe, um luxo e, muita alegria e o essencial, os sonhos, os namoros, a dança maravilhosa de homens, com mulheres e mulheres, com homens, sem nenhuma dúvida. Depois de afinados os instrumentos, o sax do Zuzinha começava a tradicional "boemia, pra mim terminou, ô, ô, ô, ô, ô, já está novamente ao meu lado, aquela, que me abandonou", a letra saia na voz de Chichico e Delegado. Ou então, "quem és tu, para querer manchar meu nome, quem és tu, se fui eu, quem matou tua fome", pelo sax do Faquinha, com a letra pela voz do Otávio.
Era um sonho lindo, numa época, que apesar do atraso, tudo era saudável em todos os sentidos, pois essas festas maravilhosas, transcorriam num clima de paz e, realmente de amor! Nunca se registrou, que eu tenha gravado na minha razoável memória, um incidente desagradável, excetuando-se, algum dissabor relacionado aos CONTRAS, ou desencantos, quando um dos pretendentes ao namoro era rejeitado pelo o pretendido, problemas, que sempre culparam o coração. Tudo, no entanto, não gerava violência, já que esta não fazia parte da vida da nossa terrinha.
A única violência da qual tive notícia, naquela época, foi praticada pelo nosso querido OTÁVIO, nosso acordeonista. Ele, além de bom músico, era um bom copo, um grogueiro de primeira e, quando chegavam em casa, cheio da mardita, sua esposa sempre o repreendia, com bastante energia. E assim, ocorreu um determinado dia, quando nosso bom músico, entendeu de mostrar sua brabeza, para se livrar da fúria de sua doce esposa: começou a quebrar pratos, xícaras, pires, tudo o que fosse quebrável e, à proporção que ele ia quebrando, ela ia levando mais cousas pra ele; e ele, compenetrado de nachão, destruía tudo, até que nada mais restava e ela colocou no chão, na frente dele, uma bilha de barro, também conhecida como, quartinha, depósito de água potável! Otávio enfurecido, resolveu dar um chute na bilha e, de repente, caiu gritando de dor! Rendeu-lhe essa violência, com ele mesmo, um fiado no comércio, para repor os pratos e demais utensílios e uma bilha nova e, ainda quinze dias sem poder tocar, pra curar o pé DISMENTIDO, equivalente a machucado ou fraturado!
Das nossas festas, somente ficaram belíssimas lembranças e saudades infindas! Vi ZUZINHA, pela última vez, quando pedi a ele, que tocasse boemia e fui atendido, num encontro da AMIB, na casa dos meus amigos Elizabeth/Manin, em São Luís. Estava, com CHICHICO e DELEGADO, o conjunto completo.  FAQUINHA E OTÁVIO, os vi em Buriti, há mais de dez anos. 
As minhas festas sem vocês, não teriam sido os sonhos eternizados na minha mente e na minha alma, assim como o foram, como o são! 
Dou-me o direito de, agradecendo o que vocês representaram pra mim e pra muitas gerações, elege-los, MÚSICOS FAMOSOSOS e vultos históricos da nossa querida BURITI!

*Djalma Passos: buritiense, ardoroso amante da minha terra, deu meus primeiros passos no velho Grupo Escolar Antonio Faria, cursei o Ginásio Industrial na antiga Escola Técnica Federal do Maranhão, estudei o Curso Científico no Liceu Piauiense e o conclui no Liceu Maranhense, militei na área de educação, orientando nas matérias português e inglês, cursei a Faculdade de Direito de São Luís/UFMA, pós graduado no primeiro Curso de Formação de Magistrado do Maranhão, Direito Civil e Penal, Delegado de Polícia Civil concursado, aposentado na Classe Especial, exerci todos os cargos de comando da Secretaria de Segurança Pública, inclusive o de Secretário, advogado legalmente inscrito e em dia, na OAB/MA em atividade, detesto injustiça de qualquer ordem, principalmente praticada contra pobres e oprimidos, em favor dos quais atuo, como o fiz no último Júri realizado em Buriti no último dia 02 de dezembro próximo passado! Adoro minha Buriti e tudo o que ela ainda tem de bela, principalmente a sua gente!
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3 COMENTÁRIOS:

  1. Anônimo9/3/15 09:14

    Saudosos tempos não vividos por nós, hoje vivemos até mesmo sem essas lembranças... Tempos bons, bons porque pessoas como os Sr°, nos fazem tentar viver mesmo em pensamento a nostalgia de ter vivido nessa época. Infelizmente Buriti está acabado, em todas as esferas. Parabéns pelo ótimo texto!

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  2. Anônimo9/3/15 16:32

    AS BOAS LEMBRANÇAS PARA AS PESSOAS HUMILDES QUE RECONHECE SUA ORIGEM, NUNCA DEIXAM DE EXISTIR. CONTINUE ASSIM ESSA PESSOA QUE NÃO ESQUECE BURITI.

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  3. Pode ser também considerado um registro histórico para memória de Buriti de Inácia Vaz. Uma crônica sensacional. Poética.

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